A pouco mais de uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o debate público deveria estar concentrado no que os candidatos pretendem fazer pelo país. Saúde, educação, segurança, emprego, infraestrutura, equilíbrio das contas públicas e qualidade dos serviços são temas que afetam diretamente a vida da população e deveriam ocupar o centro da campanha.
Mas a reta final tem sido atravessada pelo caso Banco Master e pelas investigações envolvendo Daniel Vorcaro. O assunto é grave, exige apuração rigorosa e deve alcançar todos os envolvidos, independentemente de partido, cargo ou posição. A sociedade tem direito de saber se houve irregularidades, quem participou delas e quais responsabilidades cabem a cada um. O eleitor também precisa saber quem são os envolvidos, sim, para chegar às urnas com informação suficiente e exercer seu voto de forma consciente.
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O problema surge quando a disputa eleitoral passa a girar em torno de quem conhecia Vorcaro, quem se reuniu com ele ou quem aparece nas investigações. O caso vira instrumento do embate político, enquanto propostas concretas para os próximos quatro anos perdem espaço.
Com tão pouco tempo até a votação, o eleitor deveria ter condições de comparar projetos, metas e prioridades. Investigar o Banco Master e cobrar explicações é indispensável. Mas isso não pode substituir o debate sobre o futuro do país.
Uma eleição não deveria ser dominada apenas pelas acusações da última semana de campanha. O Brasil também precisa saber o que cada candidatura pretende fazer depois que as urnas forem fechadas.