O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou, nesta quarta-feira (28), uma carta em que se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto foi divulgado após ele desembarcar nos Estados Unidos, o que encerra a dúvida que marcou a terça-feira (27) sobre seu paradeiro. Flávio, porém, rejeita o termo “fuga”: “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreve.
Na carta, o senador agradece ao presidente americano, Donald Trump, e ao “povo americano” por acolhê-lo e afirma ter levado a família para os EUA, “onde estamos em segurança”. Também agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade”, sem detalhar o motivo.
Alegação de fraude
Flávio diz que houve “fraude eleitoral” no segundo turno, vencido por Lula (PT) no domingo (25), e culpa o ministro do STF Cristiano Zanin por uma suposta soma de “mais de 10 milhões de votos” de Lula entre os dois turnos.
Moraes e a perseguição alegada
O senador diz ser alvo de “perseguição política” e acusa o ministro Alexandre de Moraes de ter posto em prática um “plano previamente elaborado” ao mandar apreender seus passaportes. Afirma que não existe mandado de prisão contra ele e que o roteiro seria passaporte, tornozeleira, prisão domiciliar e condenação. Cita ainda a situação do pai, Jair Bolsonaro, e compara sua saída à de figuras como Rui Barbosa e Charles de Gaulle.
Oposição a distância
Flávio diz que “não era minha intenção deixar minha pátria”, mas que não vai se submeter ao que descreve como o “manual clássico” de um golpe. Promete liderar a oposição de fora e se dirigir “regularmente” aos brasileiros nos próximos dias, com uma estratégia para mobilizar apoiadores “por todos os meios pacíficos e legítimos”. Pede à comunidade internacional que não “normalize” o que acontece no país e se dirige a parlamentares aliados, citando o senador Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
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O que se sabia até terça
A saída do senador vinha sendo apurada desde a madrugada de terça, quando o site argentino Infobae publicou que ele teria cruzado a fronteira e embarcaria em um jato Gulfstream em Puerto Iguazú. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha, a PF rastreava fronteiras e voos, e o senador não havia passado oficialmente pela fronteira regular. O governo argentino, a Direção Nacional de Migrações e o porta-voz de Milei, segundo a Bloomberg, diziam não haver registro de entrada dele no país. Rogério Marinho chegou a negar a saída.
O piloto Mauro Mattosinho disse à Folhapress que um funcionário do aeroporto, que não quis ser identificado, teria lhe informado que o nome do senador constava na lista de passageiros do jato. A informação, de fonte única e anônima, nunca foi confirmada.