A eleição terminou, mas a disputa política está longe de acabar. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado assegura um vencedor legítimo, mas também expõe um país dividido. Governar exige reconhecer ambas as realidades.
Na reta final da campanha, o governo elevou de R$ 600 para R$ 691 o valor mínimo do Bolsa Família e sancionou, quatro dias antes do segundo turno, o perdão de determinadas dívidas federais de microempreendedores individuais (MEIs), com efeitos a partir de 2027. São medidas que podem aliviar dificuldades reais. Isso, porém, não torna irrelevante o momento escolhido para anunciá-las ou aprová-las.
Benefícios públicos não são favores de governantes, tampouco instrumentos que devam ser confundidos com a conquista de votos. A proximidade das eleições exige mais clareza sobre custos, alcance e sustentabilidade. A sociedade tem o direito de saber se as decisões integram políticas duradouras ou se prevalece a conveniência do calendário eleitoral.
A cobrança não vale apenas para quem venceu. A oposição também tem o dever de fiscalizar com responsabilidade, sem transformar divergências em hostilidade permanente. O país precisa de debate, não de inimigos.
As urnas definiram quem governará, não resolveram a divisão nacional. Enquanto a disputa eleitoral continuar acima das necessidades coletivas, o preço será pago por quem mais depende de serviços, renda e oportunidades: a população.