A segurança pública ocupa lugar permanente nos discursos eleitorais, mas nem sempre recebe dos governantes a mesma atenção depois das urnas. A pesquisa Datafolha, divulgada em 15 de outubro, apontou a violência e a segurança pública como os principais problemas do país sob responsabilidade do governo federal para 20% dos entrevistados. Saúde (18%) e economia (15%) vieram na sequência.
Nas campanhas, candidatos frequentemente defendem penas mais duras, reforço policial e combate ostensivo ao crime. Tais propostas exigem debate sério, não slogans. A repressão é necessária, mas não substitui investigação qualificada, prevenção, integração entre as forças de segurança e o principal: o cuidado com cada cidadão, a preocupação com a vida de cada munícipe.
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A resposta do Estado deve incluir atendimento às vítimas, apuração das denúncias e responsabilização dos criminosos. Sem transparência nos indicadores e avaliação das medidas adotadas, a sociedade não consegue distinguir avanços reais de anúncios políticos.
União, estados e municípios precisam atuar de forma coordenada, respeitando suas competências, com investimentos, metas verificáveis e continuidade administrativa. Segurança pública não pode depender do calendário eleitoral nem ser reduzida a disputas partidárias.
O compromisso de quem pede votos deve ser cobrado também de quem exerce o poder. Proteger vidas, reduzir a criminalidade e assegurar o direito de ir e vir são obrigações permanentes do Estado, não peças de propaganda.