domingo, 21 jun, 2026

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EDP promete investimentos, mas região cobra soluções para problemas antigos

Levantamento da GAZETA mostra que fiação desorganizada, falta de podas e quedas de energia ainda preocupam prefeituras da região
Eduarda Martins

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A EDP permanecerá responsável pela distribuição de energia elétrica em 28 municípios paulistas até 2058 após renovar sua concessão junto ao Governo Federal. Com o novo contrato, a companhia anunciou investimentos de R$ 5 bilhões entre 2025 e 2030 para ampliar a infraestrutura, modernizar a rede e melhorar o atendimento aos consumidores.

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Apesar do anúncio, cidades do Alto Tietê ainda apontam problemas que esperam ver solucionados nos próximos anos.

Em Mogi das Cruzes, a principal cobrança da administração municipal é a organização da fiação emaranhada em diversos pontos da cidade. Segundo a prefeitura, a situação compromete a segurança e prejudica a paisagem urbana, além da falta das podas de árvores próximas à rede elétrica. Após reuniões entre a prefeita Mara Bertaiolli (PL) e representantes da concessionária, foi iniciado um mutirão para reorganização da rede em importantes corredores viários.

Já em Guararema, a principal demanda está relacionada às podas de árvores próximas à rede elétrica, especialmente em estradas rurais. O município chegou a obter decisão judicial para obrigar a realização de mutirões de poda, devido aos impactos provocados na distribuição de energia.

Em Ferraz de Vasconcelos, o Procon informou que as principais reclamações dos consumidores envolvem aumento nas contas de energia e dificuldades para renegociação de débitos. O município também defende a ampliação da automação da rede elétrica para reduzir o tempo de interrupção do serviço, especialmente em áreas rurais que sofrem com quedas frequentes durante os períodos de temporais.

Em Suzano, a prefeitura destacou que mantém bom relacionamento institucional com a concessionária, mas apontou dificuldades relacionadas às ligações elétricas novas e provisórias. Segundo a administração municipal, alguns pedidos acabam enfrentando atrasos devido a exigências técnicas feitas pela empresa. Moradores da região do Distrito de Palmeiras também relatam quedas frequentes de energia e demora no restabelecimento do serviço. O município espera que futuros investimentos garantam maior agilidade no atendimento, modernização da rede e capacidade para acompanhar o crescimento urbano da cidade.

Já em Salesópolis, conhecido por ter forte característica rural, a principal preocupação está relacionada às interrupções no fornecimento durante períodos de chuva e ventos fortes. A administração municipal defende que a concessionária mantenha equipes de prontidão em situações climáticas adversas e invista em equipamentos inteligentes capazes de restabelecer automaticamente a energia após quedas sem registro de irregularidades.

Segundo a EDP, os investimentos previstos até 2030 serão destinados à expansão da infraestrutura energética, digitalização dos sistemas, automação da rede e reforço da resiliência operacional diante das mudanças climáticas.

No entanto, o levantamento realizado pela GAZETA mostra que os desafios seguem presentes. Enquanto os municípios aguardam melhorias em questões antigas, como podas, manutenção da rede, ampliação da capacidade de atendimento e organização da fiação, o setor produtivo cobra maior estabilidade no fornecimento para garantir competitividade e crescimento econômico.

NOTA DA REDAÇÃO – As prefeituras de Biritiba Mirim, Itaquaquecetuba e Poá (municípios que também são atendidos pela EDP) foram procuradas para apresentar as demandas locais, mas não se manifestaram até o fechamento da edição. Arujá e Santa Isabel são atendidas pela Neoenergia, isto é, outra concessionária.

Câmaras mantêm fiscalização e acumulam cobranças contra a concessionária

As câmaras municipais do Alto Tietê seguem acompanhando de perto a atuação da EDP. Em algumas cidades, os parlamentares apontam avanços no diálogo com a concessionária. Em outras, as reclamações continuam frequentes.

Em Itaquaquecetuba, a Câmara informou que protocolou 402 requerimentos e 40 indicações relacionados à EDP apenas na atual legislatura. A maior parte dos pedidos envolve troca de postes, podas de árvores, instalação de iluminação pública e melhorias no atendimento. Segundo os vereadores, a demora para atender as solicitações da população continua sendo uma das principais reclamações.

Em Suzano, a situação motivou audiências públicas nos últimos dois anos. Durante os encontros, vereadores classificaram o atendimento da empresa como insuficiente e apontaram problemas como demora no restabelecimento da energia, postes instalados sem acessibilidade, fios soltos, rede precária, ausência de poda preventiva e falhas na fiscalização de cabos de telefonia e internet. Também foram relatados casos de moradores que permaneceram dias sem energia após eventos climáticos, principalmente em bairros mais afastados.

Já em Guararema, o cenário é considerado mais positivo. Os vereadores afirmam que houve melhora significativa no atendimento desde 2025, especialmente após o fortalecimento do diálogo entre a Câmara e a concessionária. Ainda assim, a poda de árvores permanece como a principal demanda do município.

Em Ferraz de Vasconcelos, os parlamentares mantêm cobranças relacionadas à troca de postes, fiação irregular, poda de árvores e falta de energia. A Câmara destaca que as reclamações fazem parte da rotina legislativa e que existe canal direto de comunicação com representantes da empresa.

Mesmo com avaliações diferentes entre os municípios, um ponto é comum: a fiscalização sobre os serviços da EDP deve continuar nos próximos anos, especialmente após a renovação da concessão e o anúncio dos novos investimentos.

As câmaras de Biritiba Mirim, Mogi das Cruzes, Poá e Salesópolis não responderam aos questionamentos da reportagem.

Indústrias do Taboão, em Mogi, cobram energia mais estável para sustentar crescimento

Enquanto as prefeituras cobram melhorias urbanas, o setor industrial do Alto Tietê tem outra preocupação: a estabilidade do fornecimento de energia.

Segundo a Associação Gestora do Distrito Industrial do Taboão (Agestab), as empresas instaladas na região convivem com oscilações frequentes de energia e interrupções pontuais que afetam diretamente a produção.

A entidade afirma que existe diálogo constante com a EDP e que representantes da concessionária participam regularmente de reuniões para discutir as demandas do setor. Apesar disso, os empresários avaliam que as soluções ainda não avançam na velocidade necessária.

De acordo com a Agestab, mesmo interrupções de poucos segundos podem causar paralisação de linhas de produção, exigindo reinício de equipamentos, reconfiguração de sistemas e retomada gradual das operações. O resultado é aumento de custos, perda de produtividade e impactos nos prazos de entrega.

A preocupação se torna ainda maior diante da expansão prevista para o Distrito Industrial do Taboão. Com a futura ligação direta à Rodovia Ayrton Senna, a expectativa é de atração de novos investimentos e ampliação das atividades econômicas na região.

A associação defende uma rede mais robusta, redução das oscilações, respostas mais rápidas em situações emergenciais e investimentos compatíveis com o potencial de crescimento do distrito.

Para a Agestab, a energia elétrica é um dos fatores decisivos para garantir competitividade, geração de empregos e desenvolvimento econômico no Alto Tietê

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