O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir em cheio a economia do Alto Tietê. Levantamento do Estadão, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio), estima que a região tenha uma exposição de até US$ 225,8 milhões, cerca de R$ 1,1 bilhão, às novas tarifas. Desse total, 85% estão concentrados em Suzano, que aparece como a sexta cidade mais afetada do país.
O tarifaço é o aumento dos impostos cobrados pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil. Na prática, isso torna os produtos brasileiros mais caros no mercado americano, reduzindo sua competitividade. Com isso, empresas dos EUA podem diminuir as compras ou buscar fornecedores de outros países, afetando diretamente as exportações brasileiras. O reflexo pode chegar à indústria, com redução da produção, revisão de investimentos e impactos sobre o emprego, principalmente em cidades com perfil exportador, como Suzano.
As medidas atuais substituem a tarifa de 50% aplicada ao Brasil em 2025, posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Agora, o governo americano passou a adotar duas novas cobranças: uma de 25%, em vigor desde 22 de julho, após uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras, e outra de 12,5%, válida desde 24 de julho para cerca de 60 parceiros comerciais. Como alguns produtos são atingidos pelas duas medidas, a tributação pode chegar a 37,5%.
Entre os setores afetados no pacote estão máquinas, papel, móveis, calçados, açúcar, etanol e vestuário. Café, carne bovina, aeronaves e alguns produtos energéticos ficaram de fora das novas tarifas. No total, o MDIC estima que as novas tarifas atinjam US$ 6,6 bilhões em exportações, 16,5% do que o país vende aos EUA, na fatia sujeita à tributação acumulada de 37,5%, alcance que sobe para 23,1% das exportações totais ao considerar as duas medidas combinadas.
No Alto Tietê, sete cidades aparecem entre as mais expostas às novas tarifas. Suzano lidera o ranking regional com US$ 191,9 milhões (R$ 984,7 milhões). Em seguida, aparecem Arujá (US$ 16,3 milhões), Mogi das Cruzes (US$ 14,7 milhões), Guararema (US$ 1,4 milhão), Ferraz de Vasconcelos (US$ 694,4 mil), Itaquaquecetuba (US$ 639,4 mil) e Poá (US$ 8,9 mil).
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, antes mesmo da entrada em vigor do tarifaço, o mercado de trabalho do Alto Tietê já operava com margem estreita entre admissões e desligamentos
Em junho, a região registrou 16.327 admissões e 16.283 desligamentos, fechando o mês com saldo positivo de apenas 44 vagas formais. Das dez cidades da região, três encerraram o período com mais demissões do que contratações: Arujá teve o pior desempenho, com saldo de -207 vagas, seguida por Ferraz de Vasconcelos (-133) e Poá (-121). Suzano, por sua vez, registrou saldo positivo de 116 empregos. Embora ainda seja cedo para medir os efeitos das novas tarifas, o cenário já acende um alerta no Alto Tietê.
>> Entre no nosso grupo do WhatsApp – clique aqui