domingo, 01 nov, 2026

Muito além da consulta: médicos constroem vínculos que atravessam gerações

Companhamento contínuo fortalece a confiança entre médicos e famílias ao longo das gerações
Eduarda Martins

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Por trás de cada diagnóstico, existe uma história. É com esse olhar que o médico Victor Mayrink Braga Silva Lima acompanha moradores na Unidade de Saúde da Família (USF) do Cocuera, em Mogi das Cruzes. Há um ano na unidade, ele defende que a Medicina vai além da receita e dos exames.

“Ser médico, a gente tem que entender que é muito mais do que simplesmente prescrever medicações. É entender que existe uma história por trás desse paciente, e essa história tem que ser valorizada”, afirma.

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Na USF, Victor atende gestantes, crianças, adultos e idosos, que são a maioria entre os pacientes. Pessoas com hipertensão e diabetes recebem acompanhamento mais frequente. O contato contínuo permite conhecer as necessidades de cada pessoa e os vínculos familiares.

“É uma medicina que vai muito além de tratar uma doença. É cuidar, às vezes trazer um acalanto, um suporte, uma esperança a esse paciente”, diz. Segundo ele, é comum acompanhar diferentes gerações: “A gente tem essa proximidade e atende toda a família. Então, atende a mãe, a avó, o filho, o netinho”.

Para Victor, esse relacionamento tem efeitos práticos: “O paciente, por ter mais confiança, adere mais ao tratamento que a gente institui para ele”. A motivação para seguir na profissão aparece no retorno de quem foi atendido. “Ver a confiança que esse paciente traz para a gente é muito gratificante”, relata. Ele destaca a escuta ativa e o acolhimento como parte essencial do cuidado.

Confiança entre gerações

A aposentada Márcia Stengle conhece esse vínculo por outra experiência. Sua mãe, ela própria, a filha Taciana e o neto Iago, quatro gerações que se consultam com o mesmo ortopedista em Mogi das Cruzes. A relação começou com a mãe, que tem artrose crônica e passou por diferentes profissionais antes de encontrar o especialista.

“É importante ter esse acompanhamento porque existe uma sequência. Ele já conhece todo o nosso histórico”, conta Márcia. Para ela, a confiança também nasce da atenção nas consultas: o médico usa modelos anatômicos e imagens para explicar os problemas de saúde.

“Não só como médico, mas como amigo”, resume a aposentada. Embora Victor atue na Medicina de Família e Comunidade e o profissional de Márcia seja ortopedista, as duas histórias revelam o valor de um cuidado que não termina quando a consulta acaba.

Embora as histórias envolvam especialidades e formas de atendimento diferentes, ambas mostram como o vínculo construído ao longo dos anos pode transformar a experiência de cuidado, aproximando médicos, pacientes e famílias.

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