Uma ligação para o 192 pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Do outro lado da linha, profissionais treinados avaliam a gravidade da ocorrência, orientam quem pede ajuda e, quando necessário, encaminham uma ambulância. Esse é o trabalho realizado diariamente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Regional de Mogi das Cruzes, que recebe entre cem e 120 chamados por dia, totalizando cerca de 3,5 mil atendimentos mensais.
Para mostrar o que acontece desde o primeiro contato com a central até o deslocamento das equipes, a GAZETA esteve na base regional do Samu e acompanhou o funcionamento do serviço, responsável pelo atendimento de seis municípios do Alto Tietê: Mogi das Cruzes, Arujá, Biritiba Mirim, Guararema, Salesópolis e Santa Isabel.
Segundo o coordenador médico, Dr. Caio Nogueira, a estrutura conta com 12 ambulâncias, sendo dez de suporte básico, tripuladas por um técnico de enfermagem e um condutor socorrista, e duas de suporte avançado, que também contam com médico e enfermeiro. Apesar do volume de chamados, nem todas as ocorrências exigem o deslocamento de uma equipe, já que parte das situações pode ser resolvida por meio das orientações dos profissionais responsáveis pela regulação.
Esse atendimento à distância é especialmente importante em casos de engasgo, quando cada minuto pode fazer a diferença. Conforme explicou Caio, médicos e enfermeiros podem orientar familiares sobre como agir enquanto uma ambulância se desloca até o local. Em algumas situações, a vítima consegue ser socorrida antes mesmo da chegada da equipe.
O coordenador ressalta, porém, que o Samu deve ser acionado em situações de urgência e emergência, especialmente quando existe risco à vida. Entre as principais ocorrências atendidas estão suspeitas de infarto, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), crises convulsivas e acidentes de trânsito com vítimas.
Além do atendimento diário, o serviço investe na capacitação contínua dos profissionais, por meio do Núcleo de Educação Permanente (NEP), responsável por treinamentos e atualizações. A estrutura também passa por um processo de modernização, com a implementação de câmeras de segurança e sistemas de comunicação integrados às ambulâncias, que contam com conexão via Starlink para facilitar o contato com a central, inclusive em áreas rurais.
Para Caio, a colaboração de quem liga para o 192 é fundamental para garantir a eficiência do atendimento. Embora reconheça a ansiedade enfrentada por familiares e vítimas durante uma emergência, ele explica que as perguntas realizadas pela central ajudam a identificar a gravidade da situação e definir qual equipe deve ser encaminhada.
“Todas as perguntas, o passo a passo que nós temos, são importantes para que chegue sempre o melhor recurso, o melhor atendimento possível, no menor tempo possível à população”, finaliza o médico.
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