Aos 102 anos, o médico Nobolo Mori guarda lembranças de uma vida que acompanha a transformação da saúde em Mogi das Cruzes. Filho de imigrantes japoneses, escolheu a profissão por influência do pai e foi estudar no Rio de Janeiro. “Ficar longe do papai e da mamãe foi difícil, mas eu tive que aguentar”, recorda.
Quando começou a trabalhar em Mogi, na década de 1950, a estrutura era bem diferente. “Quando eu comecei, tinha só a Santa Casa. O Santana também estava começando e o Ipiranga não existia”, conta. Com poucos recursos para diagnósticos, o estudo era indispensável: “Primeiro, a cabeça. Você tem que estudar. Estudar, estudar para conseguir fazer um bom atendimento”.
De clínico geral, tornou-se cirurgião e participou da construção de um novo capítulo da saúde mogiana: o Hospital Ipiranga, inaugurado em 1962. A empreitada exigiu esforço. “Eu tinha que fazer tudo sozinho, sem dinheiro, sem nada”, lembra. Ao falar da esposa, a médica Mieko Koike Mori, destaca sua contribuição: “Minha esposa foi essencial na construção do Ipiranga, ela me ajudou muito, na época era bem difícil” conta o médico.
Ao longo das décadas, acompanhou a chegada de equipamentos e novos tratamentos. “Você vai adaptando o progresso da medicina, os materiais da medicina, a tecnologia veio para somar, não para atrapalhar”, afirma.
A dedicação também criou laços duradouros. Nobolo chegou a atender diferentes gerações de uma mesma família. “Você tem que colocar o coração dentro da família”, diz. Para ele, é preciso “atender toda a família como família, mas cada pessoa é diferente, cada membro daquela família tem um histórico de saúde diferente do outro”.
Além dos consultórios, foi vice-prefeito de Mogi das Cruzes. Ao resumir o aprendizado de tantos anos, deixa um conselho: “Você tem que aceitar, lutar e fazer o bem ao próximo”. E sobre como deseja ser lembrado, responde: “Com muita gratidão. Só gratidão mesmo”.