sábado, 31 out, 2026

Medicina: uma profissão que cresce e se reinventa sem perder a essência do cuidado

País chega a 635 mil profissionais e debate formação, violência e inteligência artificial

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Celebrado em 18 de outubro, dia de São Lucas, padroeiro da categoria, o Dia do Médico chega a uma profissão que nunca teve tantos integrantes nem passou por tantas mudanças ao mesmo tempo. Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, da Faculdade de Medicina da USP com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira (AMB), o país deveria fechar o ano passado com 635,7 mil médicos, o triplo do registrado em 2000. O estado de São Paulo reúne 172,7 mil deles e, pela primeira vez, as mulheres são maioria.

O crescimento, porém, não resolve tudo sozinho. Com 2,98 médicos por mil habitantes, o Brasil ainda fica abaixo da referência de 3,7 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os profissionais seguem concentrados nas capitais e nas grandes cidades, e a formação enfrenta um gargalo: entre 2023 e 2024, foram 32,6 mil formados para pouco mais de 16 mil vagas de residência médica.

A tecnologia é outro capítulo dessa transformação. Em fevereiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a primeira resolução sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na medicina. A regra é clara: a ferramenta apoia, mas não substitui o médico, que segue responsável pela decisão e não pode delegar à máquina a comunicação de um diagnóstico.

Os desafios também estão do lado de fora do consultório. Em 2024, segundo o CFM, foram registrados mais de 4,5 mil boletins de ocorrência por agressões a médicos, uma média de 12 por dia, a maioria em São Paulo.

Há, ainda, os casos que mancham a imagem da categoria, como o de quem atende com pressa e descaso. São exceções. Em 2023, 16 médicos tiveram o registro cassado em julgamentos do CFM, num universo de quase 576 mil profissionais em atividade.

É a imensa maioria, que estuda, escuta e acolhe, que este caderno homenageia. Nesta e nas próximas páginas, a GAZETA conta histórias de quem ajudou a construir a saúde do Alto Tietê, de quem cria vínculos que atravessam gerações e de quem atende ao chamado do 192, além de mostrar como a IA já chega aos consultórios.

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A mortalidade infantil no Alto Tietê em dez anos: nascimentos diminuem, taxa insiste

Termômetro: essa é a palavra que melhor descreve a função da taxa de mortalidade infantil para a saúde de um país, pois ela é um importante indicador socioeconômico e uma avaliação das políticas públicas do setor de saúde que ajuda a entender quão desenvolvida está uma nação. Em 1950, a cada cem crianças que nasciam no Brasil, 16 morriam antes de completar um ano de vida; hoje, esse número é de 12,5 por mil nascidos vivos.

Pensando nisso, a GAZETA realizou um levantamento para saber como está o índice nas dez cidades do Alto Tietê. Entre 2016 e 2025, os municípios da região somaram 2.741 mortes de crianças com menos de um ano para 222.469 nascidos vivos, o que dá 12,3 óbitos por mil nascimentos. No período, os nascimentos caíram de 24.527 (2016) para 19.676 (2025), uma redução de cerca de 20%, e os óbitos passaram de 327 para 245. A menor taxa anual da região foi 11,29 em 2019, e a maior,13,67 em 2023.

Poá teve a maior taxa da década, com 14,8 por mil (203 óbitos), seguida por Itaquaquecetuba, com 13,4, Arujá e Ferraz de Vasconcelos – ambas com 12,5. A menor foi a de Salesópolis, com 6,6. Em quatro das cinco cidades mais populosas, a taxa foi maior entre 2021 e 2025 em comparação entre 2016 e 2020: Poá foi de 14,0 para 15,8; Itaquaquecetuba, de 12,8 para 14,1; Ferraz, de 11,9 para 13,3; e Mogi das Cruzes passou de 11,1 para 12,5. Em Poá, 2024 e 2025 tiveram as maiores taxas recentes, de 21,85 e 18,85.

Em municípios menores, como Salesópolis, Biritiba Mirim, Guararema e Santa Isabel, um único óbito pode mudar significativamente a taxa de mortalidade.

Mais Médicos conta com 153 profissionais nos dez municípios do Alto Tietê

O programa Mais Médicos conta, atualmente, com 153 profissionais em atividade nos dez municípios do Alto Tietê, segundo informações do Ministério da Saúde. A iniciativa busca ampliar o acesso da população aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária e na Estratégia Saúde da Família.

Ferraz de Vasconcelos concentra o maior número de profissionais, com 45 médicos, seguido por Suzano, com 41, e Itaquaquecetuba, com 23. Juntas, as três cidades reúnem 109 profissionais, o equivalente a aproximadamente 71% do total regional.

Mogi das Cruzes conta com 18 médicos, enquanto Arujá possui dez. Poá, Biritiba Mirim e Salesópolis têm quatro profissionais cada, Santa Isabel registra três e Guararema, um.

De acordo com o Ministério da Saúde, a distribuição dos médicos entre as unidades é de responsabilidade das prefeituras, conforme as necessidades locais e a organização das equipes de Atenção Primária.

A pasta destaca que o programa contribui para o diagnóstico precoce, a prevenção de doenças e o acompanhamento contínuo dos pacientes, fortalecendo a assistência médica na rede pública.

Rotary desenvolve ações de saúde e assistência a comunidades vulneráveis

Da luta mundial contra a poliomielite ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade, o Rotary International desenvolve ações voltadas à prevenção de doenças, à saúde materno-infantil e à melhoria da qualidade de vida. Em Mogi das Cruzes, a entidade também apoia instituições sociais e promove mutirões gratuitos de atendimento à população.

Segundo o rotariano Júlio Maldonado, uma das principais conquistas da organização é sua participação no combate à poliomielite, por meio de campanhas internacionais de vacinação e conscientização. O trabalho reúne parceiros como a Fundação Gates e contribuiu para avanços no enfrentamento da doença, cujo último caso por vírus selvagem no Brasil foi registrado em 1989.

No município, o Rotary também desenvolve projetos com resultados de longo prazo. Um dos exemplos é o Instituto Árvore da Vida, que atende cerca de 200 crianças e adolescentes, e recebeu equipamentos de cozinha industrial, instrumentos musicais e apoio para oficinas profissionalizantes.

A entidade também prepara mais uma edição do Rotary Day, que deverá reunir atendimentos médicos, vacinação, orientação jurídica e outros serviços gratuitos em uma comunidade de Mogi.

Para Maldonado, a promoção da saúde vai além do atendimento médico e envolve alimentação, educação e condições adequadas de vida. Por isso, a organização busca desenvolver projetos que ofereçam benefícios duradouros às comunidades atendidas.

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