A renovação do contrato da EDP com o Governo Federal garante à empresa a distribuição de energia em 28 municípios paulistas até 2058, com promessa de R$ 5 bilhões em investimentos entre 2025 e 2030. Cifra expressiva, mas os municípios do Alto Tietê perguntam: por que confiar em promessas distantes quando problemas antigos continuam sem solução?
Não é desconfiança gratuita, é histórico. Mogi das Cruzes lida há anos com fiação emaranhada. Guararema precisou da Justiça para obrigar podas de árvores. Ferraz de Vasconcelos acumula reclamações sobre contas e quedas em áreas rurais. Suzano relata atrasos em ligações novas. Salesópolis pede algo elementar: prontidão durante temporais.
Não são problemas que exigem bilhões em tecnologia, mas falhas de gestão — o que alimenta o ceticismo de prefeituras e câmaras, que somam centenas de requerimentos sem resposta. O setor produtivo também sofre: oscilações de segundos bastam para parar a produção no Distrito Industrial do Taboão, em Mogi.
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A EDP diz que os investimentos vão para infraestrutura, digitalização e resiliência climática — metas alinhadas ao que os municípios pedem. O problema é a distância entre o prometido e o entregue.
Uma concessão de 33 anos é tempo de sobra para corrigir falhas estruturais, mas também suficiente para que problemas pequenos se tornem crônicos. Investimento anunciado não é problema resolvido. Resta à EDP provar, com prazos verificáveis, que desta vez será diferente.