Recusar determinados alimentos, não querer experimentar algo novo ou apresentar preferência por sabores e preparações específicas podem fazer parte do desenvolvimento infantil. A chamada neofobia alimentar, caracterizada pela resistência a experimentar comidas novas ou desconhecidas, é especialmente comum entre os 2 e 5 anos. O cuidado deve estar em perceber quando essa resistência deixa de ser apenas uma fase e começa a limitar de forma significativa a nutrição da criança.
Segundo Talita Bittencourt, nutricionista da Hapvida, uma das principais diferenças está no grau de restrição. Uma criança que não gosta de determinado alimento, mas mantém uma alimentação variada, vive uma situação diferente daquela que apresenta um repertório alimentar muito reduzido ou forte resistência a experimentar novas opções.
“É importante observar o grau de restrição e o impacto que ela causa. A seletividade merece mais atenção quando passa a comprometer a qualidade da nutrição, o crescimento, o desenvolvimento ou a própria rotina da criança”, explica a especialista.
Quando a seletividade é mais intensa
A experiência de Paula Martinez, mãe de Helena, de quatro anos, mostra como a seletividade pode representar um desafio significativo para algumas famílias. Helena é diagnosticada com TEA e, segundo a mãe, apresenta uma resistência intensa a novos alimentos.
“A rigidez dela com certeza é o maior desafio, pois ela não aceita nem provar os alimentos. Helena só come iogurte, tem seletividade severa”, relata Paula.
Diante de uma restrição alimentar tão importante, o acompanhamento profissional passa a ter um papel fundamental. Helena é acompanhada pela nutricionista Amanda, profissional que, segundo a mãe, tem sido importante nesse processo.
“Somos atendidas maravilhosamente bem pela Amanda. Ela é uma profissional excepcional. Só tenho a agradecer desde o primeiro contato dela com minha filha. Ela é maravilhosa e tem muito amor e paciência com a minha filha”, conta Paula.
Como os pais podem ajudar?
Para os pais, uma das principais orientações é evitar transformar a alimentação em uma disputa. Obrigar a criança a comer, utilizar comida como recompensa ou punição e pressioná-la diante de um alimento recusado podem tornar a experiência das refeições ainda mais negativa.
Confira algumas estratégias:
- Ofereça sem obrigar: a criança pode recusar, mas o alimento pode ser apresentado novamente em outras ocasiões.
- Tenha paciência com alimentos novos: algumas crianças precisam de várias oportunidades para se familiarizar com uma comida antes de aceitá-la.
- Faça pequenas mudanças: alimentos que a criança já aceita podem servir de ponto de partida para apresentar novos sabores, cores e texturas.
- Respeite as características sensoriais: textura, cheiro, temperatura e aparência podem influenciar a aceitação.
- Coma junto com a criança: o exemplo dos adultos também participa da construção dos hábitos alimentares.
- Evite pressão e chantagem: transformar a comida em recompensa ou punição pode criar uma relação negativa com as refeições.
- Mantenha uma rotina: horários organizados e um ambiente tranquilo podem favorecer uma relação mais positiva com a alimentação.
- Observe os sinais de alerta: repertório alimentar muito reduzido, exclusão de grupos alimentares, dificuldade para mastigar ou engolir, perda ou estagnação de peso e
- sofrimento frequente durante as refeições são motivos para buscar avaliação profissional.
Talita ainda ressalta que assumir que toda seletividade alimentar é um diagnóstico é um erro.
“Existem diferentes níveis de dificuldade alimentar, e a avaliação profissional é importante justamente para entender quando estamos diante de uma preferência ou de uma situação que está causando prejuízos para a criança”, destaca a nutricionista.
A orientação é que os responsáveis tenham paciência durante o processo e procurem ajuda profissional quando a restrição for intensa ou estiver afetando a saúde e a rotina da criança. O objetivo não é obrigá-la a comer, mas criar, aos poucos, experiências mais positivas e ampliar sua relação com os alimentos.
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Sobre o Grupo Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial além de espaços especificamente voltados ao cuidado preventivo e crônico.
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