domingo, 22 fev, 2026

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Mogi vê surgir embrião da cracolândia e comerciantes temem por segurança

Praça ao lado da estação de trens da CPTM no centro do município concentra usuários de drogas; comerciantes do entorno reclamam
Guilherme Alferes

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A cidade de Mogi das Cruzes tem presenciado o nascimento de um problema que pode vir a “adoecê-la” a partir de seu coração. Exatamente ao lado da estação central da CPTM, a crescente concentração de pessoas comprando, vendendo e usando drogas tem feito comerciantes e transeuntes temerem pelo que parece ser o embrião de uma “cracolândia mogiana”.

Depois de receber relatos de furtos, assaltos e tentativas de assaltos na praça localizada entre as ruas Cabo Diogo Oliver, Engenheiro Gualberto e Hamilton da Silva e Costa, a GAZETA foi ao local, onde conversou com trabalhadores e proprietários de estabelecimentos do entorno, que demonstraram uma grande preocupação com o futuro próximo. Para preservar a segurança dos entrevistados, seus nomes foram alterados.

Dos comércios visitados, dois foram roubados recentemente, com um modus operandi muito semelhante. Os assaltantes invadem os locais na calada da noite pelos telhados, atravessando os forros. Um deles, que aqui será chamado de Carlos, informou que passou a fazer a própria segurança: “A polícia vem aí, mas não resolve nada, então eu mesmo me protejo agora”, e apontou para os três porretes que mantém por perto.

Este tipo de afirmação foi uma constante. Mesmo reconhecendo que são realizadas ações da Polícia Militar e da GCM no local, além de haver uma câmera de monitoramento, a sensação de insegurança só cresce. “A polícia vem quase todos os dias e dispersa, mas é só a polícia ir embora que eles voltam”, falou outro comerciante, o José.

Cristina, outra lojista, relatou que, além da sensação de insegurança, o constante movimento de pessoas pedindo dinheiro ou alimentos tem causado desconfortos, tendo clientes já dito que não voltariam mais ao local. Trabalhando há anos na região, ela conta que se trata de um fenômeno recente: “Quando eu comecei aqui, não tinha. Aí, de repente, foi só crescendo”.

José diz que a situação passou a ter o status de problema a partir da inauguração da praça e do túnel “Jornalista Tirreno Da San Biagio”, há cerca de cinco anos. “Antes o pessoal passava pedindo comida, mas foi depois que construiu essa praça e o túnel que piorou”, relembra.

Apesar da utilização frequente do termo “cracolândia” por comerciantes e moradores, a designação mais precisa para o que acontece atualmente no centro de Mogi das Cruzes é “cena aberta de uso de drogas”. O termo se refere a locais onde há aglomeração de pessoas para o uso de substâncias ilícitas ao ar livre.

Nesse momento, o cenário da praça mogiana lembra, em escala bem menor, o contexto da Cracolândia em São Paulo, onde fatores como proximidade com a estação de trem e localização central são facilitadores para a formação de um ponto de consumo concentrado. O que separa o cenário mogiano do existente na capital paulista é, por enquanto, o tamanho e a concentração de usuários.

Alguns comerciantes entrevistados acentuam, porém, que “nada grande começa grande, mas se inicia pequeno e se não for contido a tempo pode atingir proporções perigosas”. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o primeiro registro de apreensão de crack aconteceu em 1990. Ou seja, a cracolândia paulista levou cerca de três décadas para se tornar o que é: um grave problema social, de saúde pública e de segurança.

Números preocupam

De acordo com os dados disponibilizados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), o 1º DP (Distrito Policial) de Mogi, que comanda o policiamento na região central, registrou um aumento no número de roubos entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o mesmo período em 2023.

No último ano, foram feitos 229 boletins de ocorrência de roubos na região no período, enquanto em 2024 foram 259. Com uma média mensal de 32,27 casos, estima-se que, caso ela se mantenha, possam ser registrados cerca de 388 roubos neste ano, enquanto foram 345 em 2023.

Procurada, a SSP disse que “ampliou as ações de combate ao tráfico de drogas com o reforço do policiamento ostensivo e preventivo e o mapeamento das áreas de maior incidência de crimes dessa natureza”, mas não citou o caso específico da praça, nem o centro de Mogi.

O que diz a prefeitura

Procurada, a Prefeitura de Mogi disse, em nota, que “entende a dependência química como uma questão de saúde pública. Por isso, dispões de equipamentos especializados no atendimento e tratamento de pessoas nesta situação. Além da estrutura já existente, em julho deste ano a cidade recebeu mais dois serviços que atendem a esta finalidade – o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas 24 horas – Caps AD III e o Consultório de Rua.”

O Caps AD III oferece atendimento em período integral no mesmo local, na Vila São Francisco, enquanto o Consultório de Rua é um serviço itinerante que conta com médico, enfermeiro, auxiliares de enfermagem, apoio administrativo e motorista, para oferecer o atendimento a pessoas em situação de rua.

A municipalidade disse já reconhecer o local como uma cena aberta de uso de drogas, e completou: “É preciso lembrar que a situação de rua e o uso abusivo de substâncias psicoativas é um problema multidisciplinar, que depende do envolvimento das políticas públicas de Saúde, Assistência, Segurança, Habitação, Desenvolvimento, dentre outras, de forma integrada, buscando garantir a proteção e superação dessa vulnerabilidade.”

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