Para encerrar sua operação com “chave de ouro”, a CPTM foi destaque nacional no último domingo (19), quando a Linha 11-Coral esteve no centro da série documental “Cidade Subterrânea”, exibida pelo Fantástico, da TV Globo. O episódio expôs aquilo que os passageiros enfrentam recorrentemente: uma falha técnica que prejudicou e instaurou o caos em todo o sistema de trens e metrô.
Segundo informações apuradas pela emissora, a média é de duas falhas técnicas ou paralisações por mês na linha. Nas ruas, no entanto, a percepção dos passageiros é de que os problemas são ainda mais frequentes, com relatos constantes de atrasos, superlotação e interrupções no serviço.
A passageira Sara Rosa de Lima, por exemplo, afirma que os problemas na Linha 11 têm sido recorrentes:
“Está tendo muita falha no trem. Isso prejudica. Eu só uso o trem porque é mais barato. Todo mundo precisa, ainda mais quem vai trabalhar, acorda de madrugada para pegar o trem e, às vezes, chega atrasado no serviço. Isso prejudica, pode até fazer a pessoa perder o emprego, que é o sustento da família.”
Outro passageiro, Guilherme de Carvalho, relata o impacto na rotina dele e da mãe:
“A minha mãe usa bastante a linha, vai todos os dias para São Paulo e volta. Ela reclama que, às vezes, o trem para pra manutenção. Ela diz que, pelo menos uma vez por semana, tem paralisação. E, em relação à lotação, é muito cheio, é amassado mesmo, todo mundo junto. Eu também sinto isso quando pego o trem, é sempre lotado.”
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Troca
Diante das dificuldades diárias, muitos usuários depositam expectativa na mudança de operação. A concessão das linhas à iniciativa privada faz parte do plano do Governo do Estado para modernizar o sistema ferroviário. A concessionária Trivia Trens, vencedora do leilão, já está na fase pré-operacional das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, preparando estrutura, equipes e sistemas para assumir o serviço.
Segundo o gerente executivo de operações da Trivia, Vagner Rodrigues, a partir de julho de 2026, tem início a operação assistida, período de transição em que a empresa passa a operar com acompanhamento da CPTM por até 12 meses. Para os passageiros, a mudança pode marcar uma nova fase do serviço:
“Para mim vai ser ótimo. Eu espero que melhore, porque todos necessitam, ainda mais quem vai trabalhar”, afirmou Sara Lima.
Questionada, a Trivia afirmou que “se prepara para assumir um sistema com papel estruturante na mobilidade metropolitana. Por isso, trabalha para que a entrada na operação seja sustentada por preparação concreta, presença em campo, diálogo e respeito às regiões atendidas. A operação assistida marca o início da nova etapa operacional. A preparação, porém, já está em curso. E as primeiras entregas já começam a aparecer para o passageiro”.
Silêncio da CPTM
A reportagem também procurou a CPTM para questionar sobre as falhas técnicas e as medidas adotadas para evitar recorrências. Por telefone, a assessoria de imprensa informou que “não irá participar da pauta” e não enviou respostas aos questionamentos encaminhados. Em relação às reclamações dos usuários, a companhia reiterou a decisão de não se posicionar sobre o assunto.



