Balões coloridos invadiram o corredor da UTI Neonatal da Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes para celebrar a alta de João Miguel do Carmo Pereira, após nove meses de internação. O filho de Kauane Kimbherrlly Pereira nasceu prematuro, com 1.590 gramas, e com síndrome de Edwards, também chamada de Trissomia 18, alteração genética causada por uma cópia extra do cromossomo 18 que provoca múltiplas malformações congênitas.
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No caso de João Miguel, foram identificadas cardiopatia congênita, pequena hidrocefalia, agenesia congênita bilateral de rádio e ulna, com malformação de braços e antebraços, além de deficiências intelectual e motora.
João recebeu alta nesta terça-feira (4), com 5,03 quilos, após acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por pediatra, fisioterapeuta, oftalmologista, cirurgião pediátrico, nutricionista e equipe assistencial. Os próximos desafios envolvem acompanhamentos com cardiologista, neurologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e avaliação na Associação de Assistência à Criança com Deficiência (AACD).
“Gratidão define o que sinto por todos da Neonatal. Cuidaram de mim e do João com excelência. São ótimos, desde médicos, técnicos e enfermagem até a equipe de limpeza”, afirma Kauane.
Moradora do Mogi Moderno, Kauane fez o pré-natal no Hospital das Clínicas, em São Paulo. A primeira malformação foi detectada com quatro meses de gestação. Com 27 semanas, veio o resultado do cariótipo positivo para a síndrome de Edwards. João nasceu em 15 de outubro de 2025, na Santa Casa, com 33 semanas e cinco dias, em cesariana de emergência. Todos os procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme informa a enfermeira Sandra Aparecida da Silva Soares, coordenadora da UTI Neonatal.
Os meses de internação construíram um cotidiano de desafios para Kauane, de 24 anos, mãe também de Ana Clara, cinco anos, e Samuel, dois anos.
“Foi a segunda situação mais difícil da minha vida. Deus me sustentou e capacitou as pessoas ao meu redor. Nunca pude cair, porque tenho mais as duas crianças”, afirma Kauane, que perdeu a mãe uma semana após o nascimento da primogênita.
Sobre a rede de apoio, Kauane é direta. “Não tenho. Quem me deu suporte foram as enfermeiras, a equipe da Santa Casa, com quem criei um vínculo muito forte”, revela.
Ao deixar a UTI Neonatal, Kauane gravou um vídeo de agradecimento à equipe. “Chegou o dia de dizer adeus para esse lugar que foi nossa casa por tanto tempo. Aqui encontrei força, esperança e muito amor. Cada um que fez parte da nossa caminhada deixou um pedacinho de si em nossa história”, afirmou.
A alta de João Miguel marca também uma das últimas histórias registradas na maternidade da Santa Casa, que está em etapa final de desativação. Os serviços serão integralmente transferidos para a Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa, equipamento da Prefeitura de Mogi das Cruzes.