segunda-feira, 03 ago, 2026

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Desconhecimento e procrastinação: inimigos que transformam o câncer colorretal no segundo tumor de maior incidência no Brasil

Professor de medicina da UMC destaca a importância de olhar atento aos sinais e busca precoce de ajuda médica; um ano de morte da Preta Gil lembra importância do tema
Da Redação

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A lembrança recente pelo primeiro ano de morte da cantora Preta Gil novamente jogou luz à importância de se falar mais sobre o câncer colorretal, considerado o segundo tumor com maior incidência no Brasil. Para o médico coloproctologista Carlos Mateus Rotta, professor do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), dois fatores o colocam nesse ranking: o elevado grau de desconhecimento da população sobre seus primeiros sinais e a procrastinação, mesmo quando o corpo apresenta os primeiros indícios.

O professor do curso de Medicina da UMC, Carlos Mateus Rotta | Foto: Divulgação

“O câncer colorretal costuma ser chamado de ‘silencioso’ porque, nas fases iniciais, geralmente não provoca sintomas. O tumor pode crescer lentamente durante anos, muitas vezes a partir de um pólipo benigno, sem causar dor ou alterações perceptíveis. Esses pólipos podem ser identificados e removidos durante uma colonoscopia antes de se transformarem em câncer e é por essa razão que a esse tipo de rastreamento é tão importante e eficaz”, explica Rotta, que possui mestrado em Gastroenterologia Cirúrgica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual e Doutorado em Medicina Gastroenterologia Cirúrgica pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. 

O rastreamento deve fazer parte da rotina anual a partir dos 45 anos para pessoas de risco habitual. Indivíduos com história familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes hereditárias devem iniciar mais cedo, conforme avaliação do coloproctologista.

A idade não é um exagero de zelo. Nos últimos anos, tem sido observado um aumento dos casos em adultos jovens, principalmente abaixo dos 50 anos, provavelmente relacionado às mudanças do estilo de vida, como obesidade, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e carnes processadas.

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“Fazer o exame no momento adequado pode significar evitar o câncer ou diagnosticá-lo em fase inicial, quando as chances de cura ultrapassam 90%”, reforça o docente da UMC. 

Rotta orienta ainda que as pessoas devem estar atentas aos principais sinais de alerta, que incluem sangue nas fezes; alteração persistente do hábito intestinal; diarreia ou prisão de ventre persistentes ou alternados; fezes afiladas; sensação de evacuação incompleta; perda de peso inexplicada; anemia; dor abdominal persistente: “O erro mais comum é atribuir todo sangramento às hemorroidas. Embora elas sejam frequentes, somente um exame com o coloproctologista pode confirmar sua origem. Sangramento retal nunca deve ser ignorado”.

Uma vez detectado o tumor, o tratamento vai depender do estágio e localização da doença, podendo combinar cirurgia, associada a quimioterapia e/ou radioterapia.

“E agora, a ciência trouxe avanços importantes. O tratamento personalizado permite identificar alterações moleculares específicas do tumor e indicar terapias-alvo para determinados pacientes. Além disso, a imunoterapia revolucionou o tratamento dos tumores com deficiência do sistema de reparo, proporcionando respostas do DNA prolongada. Em alguns casos, evitando tratamentos mais agressivos. Esses avanços representam uma das maiores evoluções da oncologia colorretal nas últimas décadas”, ressalta Rotta. 

O docente da UMC destaca também que tão importante quanto estar atento aos sinais e não deixar de fazer exames de rotina, é investir em ações preventivas e de qualidade, como manter alimentação saudável, praticar atividade física regularmente, evitar tabagismo, álcool e embutidos: “Tudo isso ajuda muito não só para reduzir riscos do câncer colorretal como também para levar uma vida com maior qualidade”, conclui.

 

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