As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro em todo o País e na edição deste ano uma das novidades anunciadas é a permissão de acompanhamento psicológico aos candidatos diagnosticados com distúrbios de ansiedade, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Contudo, para que o transtorno não afete o desempenho do estudante, essa regulação emocional deve ser trabalhada previamente. A orientação é da psicóloga Adriana Aparecida Ferreira de Souza, professora do Curso de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

“O acompanhamento no Enem é uma novidade que tende a impactar diretamente a vida de muitos estudantes, oferecendo a eles a segurança de contar com uma pessoa de apoio em momentos de crise. Até então, o trabalho era realizado em consultório com pessoas diagnosticadas com esses tipos de transtornos de ansiedade. Uma parcela desses pacientes já realiza acompanhamento psicológico, com estratégias desenvolvidas por meio de simulados e situações semelhantes às de prova. Mas na hora de fazer valendo mesmo o exame é que a crise se apresenta”, diz Adriana, que é mestre e doutora em Psicologia, na área de Envelhecimento, com experiência em Psicologia do Desenvolvimento Humano e Avaliação Psicológica.
A docente da UMC explica que, muitas vezes, o que desencadeia a ansiedade é justamente a perspectiva de estar em um ambiente repleto de fatores estressores sem ter alguém para auxiliar:
“Quando uma pessoa passa por uma crise emocional, ela já perde naturalmente o foco da atividade que deveria realizar. Nesse contexto, sair da sala para receber apoio possibilita que ela acione estratégias de regulação emocional e, posteriormente, consiga retomar a concentração necessária para prosseguir com a prova”.
Adriana salienta que se deve considerar que pessoas com transtornos já realizam acompanhamento psicológico, e questões relacionadas à percepção do outro e aos momentos de crise costumam ser trabalhadas no ambiente psicoterápico:
“Não é possível considerar que um atendimento isolado seja suficiente para lidar com essas situações. O ideal é que o estudante já esteja em tratamento psicológico e consiga utilizar estratégias de controle emocional e da ansiedade desenvolvidas previamente em consultório”.
A especialista diz que costuma haver bons resultados quando existe um planejamento estruturado ao longo do terceiro ano do Ensino Médio, aliado à preparação para vestibulares, de modo que o estudante adquira experiência, aprenda a administrar o tempo durante as horas de prova e desenvolva maior segurança diante da situação.
A docente da UMC acredita que a autorização de acompanhamento específico para esse perfil de candidato representa um importante avanço nas políticas educacionais voltadas à inclusão de pessoas com diferentes transtornos.
“Grande parte da população é emocionalmente impactada por situações de avaliação, como vestibulares e exames de larga escala. Por isso, além da oferta de recursos de apoio durante a prova, é fundamental investir no desenvolvimento de estratégias de enfrentamento das dificuldades emocionais. É necessário promover o desenvolvimento contínuo de habilidades emocionais. Nesse contexto, o acompanhamento psicológico deve ser entendido como um processo permanente, e não apenas como uma medida adotada em momentos específicos. O fortalecimento das competências emocionais é um dos fatores mais importantes para o bem-estar e o desempenho dos estudantes”, diz.
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