A cada temporada de chuvas, o Alto Tietê revive um problema que já deveria estar sob controle. Ruas alagadas, famílias desalojadas, trânsito interrompido, prejuízos ao comércio e risco à vida voltam a ocupar o noticiário como se fossem consequências inevitáveis da natureza. Mas não são. Em grande parte, refletem a ausência de planejamento e de investimentos contínuos na prevenção.
O avanço das mudanças climáticas torna os eventos extremos mais frequentes e intensos, exigindo uma postura diferente do poder público. Esperar a chuva chegar para mobilizar equipes de emergência já não é suficiente. A prevenção precisa deixar de ser um discurso recorrente e se transformar em prioridade permanente das administrações municipais.
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A região conhece seus pontos críticos, sabe quais bairros sofrem primeiro e quais obras são necessárias para minimizar os impactos. Ainda assim, intervenções estruturais avançam lentamente, enquanto áreas de risco continuam sendo ocupadas e sistemas de drenagem permanecem insuficientes para enfrentar temporais cada vez mais severos.
Preparar as cidades para conviver com uma nova realidade climática é uma responsabilidade que não pode ser adiada. Investir em infraestrutura, preservar áreas de proteção, ampliar o monitoramento e planejar o crescimento urbano são medidas que salvam vidas e reduzem prejuízos. O Alto Tietê não precisa esperar pela próxima enchente para lembrar de um problema que já conhece. Precisa agir antes que ela aconteça.