segunda-feira, 13 jul, 2026

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Sete das dez cidades do Alto Tietê têm alto risco para desastres do El Niño

Estudo aponta que Ferraz é a cidade da região mais vulnerável ao fenômeno
Giovanna Figueiredo

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O segundo semestre de 2026 começa sob alerta climático, com a chegado do El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já apresenta temperaturas superiores a 2°C acima da média próximo à costa da América do Sul, e os modelos climáticos indicam probabilidade acima de 90% de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.

Para o segundo semestre, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alerta para alta probabilidade de temperaturas acima da média em todo o país, com aumento de eventos de onda de calor, e alerta para riscos de inundações e deslizamentos.

Diante desse cenário, a GAZETA realizou um levantamento na plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para avaliar o grau de exposição das dez cidades do Alto Tietê a esses riscos climáticos.

Todos os índices levam em consideração três componentes: ameaça climática, exposição e vulnerabilidade. A combinação dos três gera um índice de risco entre zero e um, classificado em cinco faixas: Muito Baixo (0,00 a 0,19), Baixo (0,20 a 0,39), Médio (0,40 a 0,59), Alto (0,60 a 0,79) e Muito Alto (0,80 a 1,00).

Foram analisados dois índices diretamente relacionados aos riscos apontados pelo boletim: deslizamento de terra e inundações, enxurradas e alagamentos. O caso mais crítico da região é Ferraz de Vasconcelos, que apresenta risco muito alto nos dois indicadores. Das dez cidades analisadas, sete registram risco alto ou muito alto em, pelo menos, um deles.

Ferraz lidera o índice de deslizamento de terra no Alto Tietê, com 0,93 (Muito Alto). Na sequência aparecem Arujá e Poá, ambas com 0,72 (Alto); Itaquaquecetuba, com 0,71 (Alto); Santa Isabel, com 0,68 (Alto); e Suzano, com 0,67 (Alto). Com risco ‘Médio’ estão Guararema (0,55), Biritiba Mirim (0,55) e Mogi das Cruzes (0,44). Salesópolis registra o índice mais baixo da região, com 0,20.

No indicador de inundações, enxurradas e alagamentos, Ferraz também lidera, com 0,88 (Muito Alto). Com risco ‘Alto’ aparecem Itaquá (0,67), Santa Isabel (0,64), Biritiba (0,64), Arujá (0,62) e Poá (0,60). Suzano e Guararema registram risco ‘Médio’, ambas com 0,50. Mogi (0,39) e Salesópolis (0,26) apresentam risco baixo.

Os dados reforçam a importância do planejamento territorial diante do novo padrão de chuvas trazido pelo El Niño. Para o professor Joni Matos Incheglu, do curso de Engenharia Civil da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), “muitas tragédias são de localização, não de estrutura”.

Na opinião de Incheglu, ciência, tecnologia e engenharia são capazes de reduzir drasticamente os danos de um El Niño intenso:

“Colocar esse aparato no centro do planejamento das cidades, e não apenas na resposta ao desastre, é a decisão mais importante que podemos tomar diante do que vem pela frente”, conclui.

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Nove das dez cidades têm risco alto para dengue, zika e chikungunya

Um dos efeitos esperados do El Niño é o aumento das temperaturas, o que acelera o ciclo de reprodução do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão de arboviroses como dengue, zika e chikungunya.

Segundo a plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), nove das dez cidades do Alto Tietê registram risco alto para arboviroses. O índice leva em consideração a combinação de três componentes: ameaça climática, exposição e vulnerabilidade, que resultam em um índice de risco entre zero e um, classificado em cinco faixas: Muito Baixo (0,00 a 0,19), Baixo (0,20 a 0,39), Médio (0,40 a 0,59), Alto (0,60 a 0,79) e Muito Alto (0,80 a 1,00).

Biritiba Mirim é a cidade da região com maior risco, com índice de 0,77, seguida por Mogi das Cruzes (0,76), Suzano (0,75), Guararema (0,69), Poá (0,68), Salesópolis (0,67), Itaquaquecetuba (0,66), Arujá (0,64) e Santa Isabel (0,60), todas classificadas como risco ‘Alto’. Ferraz de Vasconcelos é a única cidade da região com nível médio, com índice de 0,55.

Os números reforçam a importância dos cuidados e ações de combate ao Aedes aegypti na região, especialmente diante do aumento de temperaturas ligado ao El Niño.

IBGE lança plataforma para prevenção e enfrentamento de desastres

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 1º de julho, resultados de uma Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS), que reúne informações coletadas diretamente junto aos domicílios atingidos pelo evento climático. No mesmo dia, entrou em operação o Singed Lab Desastres, plataforma inédita desenvolvida para apoiar a prevenção e o enfrentamento dos impactos do El Niño.

A finalidade da plataforma é preparar gestores públicos e privados para mitigar os impactos das mudanças climáticas, com foco na estratégia nacional de atenção ao El Niño. O IBGE anunciou ainda que pretende ampliar a produção de dados voltados ao gerenciamento de desastres.

Para o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, a ferramenta permitirá que o país aja antecipadamente. “O Singed Lab Desastres inaugura uma nova fronteira para o Estado brasileiro: usar inteligência territorial e estatística não apenas para contar perdas, mas para evitar que elas aconteçam.”

Na formação preventiva, os gestores são capacitados a identificar informações indispensáveis sobre seu município para atuar no momento do desastre.

O objetivo das ações é que cada município tenha sua própria Comissão de Prevenção de Desastres, grupo treinado em dados para atuação em situações adversas.

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