Não é a primeira vez que esta GAZETA utiliza seu espaço mais nobre para falar da segurança pública na gestão do governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Infelizmente é necessário. Nosso estado, inclusive a região do Alto Tietê, continua assistindo atônito ao avanço de uma política marcada pela violência letal e pela escalada da letalidade policial.
O que antes se via nas manchetes agora se traduz em números da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta semana. Os índices são contundentes: a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) subiu 7,5% — terceira maior alta do país. Mais grave ainda é o crescimento de quase 61% nas mortes causadas por intervenções policiais, colocando São Paulo na liderança nacional desse tipo de letalidade.
Enquanto a média nacional registra queda de 3% na letalidade policial, São Paulo segue na contramão. A escolha do ex-tenente da ROTA, Guilherme Derrite, para comandar a Segurança Pública revela a opção por uma abordagem militarizada e pouco transparente, que não prioriza a preservação da vida nem o controle efetivo das ações policiais.
O impacto dessa política recai principalmente sobre jovens negros e periféricos. Sob a atual gestão, houve aumento de 13% nas mortes de crianças e adolescentes causadas por policiais.
Como já defendemos, segurança pública se faz com inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. Tarcísio de Freitas precisa ser cobrado por uma política que não protege — mas que mata.




