A disputa política, em todos os cantos do Brasil, pode ser muitas coisas, a depender do interlocutor: para alguns ela pode ser energizante e emocionante, enquanto para outros é desinteressante e vã. Há também um terceiro grupo que tem a visão do ambiente político como algo intrinsecamente corrupto e desleal.
Todas essas visões não estão necessariamente incorretas e, de certo modo, todas elas estão corretas. A última, no entanto, quando se concretiza é inaceitável.
Assim como em toda disputa, uma corrida eleitoral é repleta de competitividade, cada candidato utiliza das armas que tem para vencer. O ideal é que essas armas estejam no campo das ideias, no poder de convencimento, mas há sempre ditos políticos que – isso quando não utilizam armas reais – fazem questão de sequestrar as demandas populares na tentativa de virar a opinião pública contra seus adversários.
Exemplo disso está acontecendo em Mogi das Cruzes neste exato momento, onde as obras de retirada da famosa “rotatória do Habib’s”, antigo pedido dos motoristas mogianos para desafogar o trânsito, foram travadas judicialmente a pedido de um advogado ligado a gestões anteriores da prefeitura. O que chama atenção é que foi a gestão da qual o requerente fez parte quem iniciou o processo da obra, o que leva a crer que sua posição não é contrária à retirada, é a favor de tumultuar com objetivos eleitoreiros.
Independentemente de posições partidárias, o sofrimento da população não pode ser parte de uma jogada política. A corrida eleitoral começou, agora a atenção tem de ser redobrada.


