sábado, 25 jul, 2026

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Vitória da Espanha na Copa resgata legado de imigrantes no Alto Tietê

Bicampeonato da Espanha na Copa reacende o orgulho de descendentes no Alto Tietê e relembra a história da imigração espanhola na região
Felipe Alves

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A vitória da Espanha sobre a Argentina por 1 a 0, na prorrogação da final da Copa do Mundo de 2026, devolveu ao país europeu um título que não conquistava desde 2010. O gol de Ferran Torres, na prorrogação, garantiu a segunda estrela espanhola em Mundiais e reacendeu o orgulho de descendentes espalhados pelo mundo, inclusive no Alto Tietê.

Embora não exista um levantamento oficial sobre quantos espanhóis vivem na região, dados do Censo Demográfico de 2022 mostram que a comunidade espanhola segue presente no Brasil, mesmo em queda nas últimas décadas.

Segundo o IBGE, o país tinha 1.009.341 estrangeiros e brasileiros naturalizados em 2022, ante 592.569 registrados em 2010. Entre os nascidos na Espanha, porém, o movimento foi inverso: eram 30.736 em 2010 e passaram para 23.114 em 2022.

O instituto também informou à GAZETA que mais da metade dos espanhóis e naturalizados brasileiros vivem no estado de São Paulo. O número exato, no entanto, não é divulgado por causa do sigilo estatístico, que impede a identificação de grupos pequenos em recortes estaduais e municipais.

Pela mesma razão, não há dados específicos sobre a quantidade de espanhóis no Alto Tietê. O que o Censo revela é o crescimento da população nascida no exterior em cidades da região. Em Arujá, esse número passou de 361 moradores, em 2010, para 704 em 2022. Em Suzano, foi de 1.502 para 1.589. Já em Mogi das Cruzes, saltou de 2.724 para 3.982.

Outro dado do levantamento mostra que 7.157 pessoas que viviam no Brasil em 2022 moravam na Espanha cinco anos antes da pesquisa. No estado de São Paulo, foram 1.788. Para os municípios, esse recorte também não é divulgado.

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Tradição de família

Se os números não permitem dimensionar a presença espanhola na região, a história do empresário Oscar Gonsalez, de Arujá, ajuda a ilustrar esse legado.

Neto de espanhóis, ele conta que os avós chegaram ao Brasil por volta de 1920, período marcado pelo intenso fluxo migratório europeu após a Primeira Guerra Mundial. A avó nasceu em Almería, no sul da Espanha, enquanto o avô veio de León. Os dois se conheceram já em território brasileiro, formaram família e se estabeleceram entre os bairros do Brás e da Mooca.

Foi no Brasil que o avô iniciou o negócio da família. Começou como mascate e, ao identificar uma oportunidade no comércio de sucata de aço, criou uma empresa que atravessou gerações. Hoje, Oscar mantém a atividade em Arujá.

Apesar da distância, o vínculo com a Espanha permanece vivo:

“E nós, como bons espanhóis, obviamente sempre torcemos para a Espanha. É a nossa segunda casa. Ficamos extremamente felizes. É um time excepcional, que já deveria ter ganho a outra Copa, mas, infelizmente, não deu. Nesta, realmente ganhou”, afirma o empresário, que celebrou a conquista do bicampeonato mundial.

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