“Pai mata filhas de três e cinco anos estranguladas”, “Criança de sete anos é morta pelo pai após pegar pedaço de frango na geladeira”, “Menino de seis anos é empalado pelos pais em Salesópolis”, “Pai joga menina da janela de um apartamento”. Notícias como essas têm se tornado cada vez mais comuns e causando espanto. Esses crimes são chamados de filicídio ou, em alguns casos, de vicaricídio.
Filicídio é quando um pai ou uma mãe mata o próprio filho ou filha. Já o vicaricídio ocorre quando alguém mata um filho, dependente, enteado ou pessoa sob a guarda de uma mulher, com o objetivo específico de causar sofrimento a essa mulher.
A GAZETA realizou um levantamento sobre os casos de filicídio no Alto Tietê, que mostrou que, em quatro anos, ao menos dois casos foram confirmados na região, com mais três que apresentam indícios, mas ainda sem confirmação.
O primeiro aconteceu em 2022: um menino de seis anos foi encontrado morto em uma área de mata em Salesópolis, com ferimentos por todo o corpo, inclusive empalamento, e sinais de violência sexual. O pai afirmou à polícia que a mãe da criança, que teria problemas psiquiátricos, havia fugido com o menino em direção à mata após uma discussão. A mãe foi presa em flagrante, mas o pai, também alegado como envolvido, permaneceu foragido por oito meses e chegou a entrar na lista de procurados da Interpol, até ser capturado em junho de 2023. O caso foi tratado como homicídio qualificado e estupro de vulnerável.
Já o segundo ocorreu em Guararema, em 2023: um menino de sete anos foi morto pelo pai após ser espancado por ter pego um pedaço de frango na geladeira sem permissão. A mãe foi denunciada por omissão e conivência. O pai era ex-conselheiro tutelar do município, e a mãe, professora da rede municipal.
O levantamento também apontou outros três casos com possibilidade de se tratar de filicídio – mortes de crianças pequenas por agressão em ambiente doméstico, mas que não puderam ser confirmados por falta de registro na imprensa ou de acesso a processos em segredo de justiça.
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Violência

Outro levantamento, este a partir do SINAN/VIVA (Sistema de Notificação de Violência do Ministério da Saúde), mostra que os registros de violência cometida por pais, mães, padrastos e madrastas cresceram na região: de 505 notificações em 2022 para 818 em 2024 — um aumento de 62% em dois anos.
Mãe é a que mais comete esse tipo de crime, segundo as notificações, seguido por pai. Padrasto e madrasta aparecem bem atrás. Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba concentram os maiores volumes da região. Os dados de 2025 ainda estão incompletos, em processo de atualização e por isso não entram na comparação.