terça-feira, 06 out, 2026

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‘Ladrões de votos’? Eduarda Campopiano e Lucas Pavanato deixam candidatos do Alto Tietê de fora

Eleitores da região destinaram mais de 142 mil votos a Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, candidatos sem vínculo direto com o Alto Tietê
Felipe Alves

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A votação de dois dos principais fenômenos das eleições de 2026 em São Paulo abriu uma discussão no Alto Tietê sobre o destino dos votos da região e a capacidade de eleger representantes comprometidos diretamente com as demandas locais.

Lucas Pavanato (PL) foi eleito deputado federal como o candidato mais votado do Estado, com 3.038.438 votos. No Alto Tietê, recebeu 89.908 votos. Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual mais votada de São Paulo, teve 1.956.238 votos em todo o Estado e conquistou 52.430 votos nos dez municípios da região. Somados, os dois receberam 142.338 votos no Alto Tietê.

O resultado chama atenção pelo peso desses números dentro da votação regional. Para deputado estadual, o Alto Tietê teve 832.363 votos válidos. Desse total, 52.430 foram destinados a Eduarda Campopiano. Na prática, a cada 16 votos válidos para deputado estadual na região, aproximadamente um foi para a deputada eleita.

Na disputa para deputado federal, foram 840.272 votos válidos no Alto Tietê. Pavanato recebeu 89.908 deles. Isso significa que aproximadamente um a cada nove votos válidos para deputado federal na região foi destinado ao candidato eleito.

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Votação supera candidatos eleitos da região

A força dos votos recebidos por Eduarda fica ainda mais evidente quando comparada com candidaturas que conquistaram uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Somente no Alto Tietê, Eduarda recebeu mais votos do que o Dr. Edson da Paiol (PODE), Kaká do Autismo (PODE) e Marcos Damásio (PL), candidatos que foram eleitos para a Alesp.

Pavanato também superou, na votação regional, Rodrigo Gambale (PODE), nome ligado politicamente ao Alto Tietê e que também disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados.

O cenário não significa, por si só, que os votos destinados a Pavanato e Eduarda poderiam ser automaticamente transferidos para determinado candidato ou que a eleição teria necessariamente outro resultado. Nas eleições proporcionais, a distribuição das cadeiras depende do desempenho dos partidos e federações e dos critérios definidos pela legislação eleitoral. No entanto, os números mostram o tamanho do eleitorado regional que escolheu candidaturas de fora do Alto Tietê.

Balanço

Mogi das Cruzes foi a cidade que mais votou nos dois candidatos.

Eduarda recebeu 17.260 votos em Mogi, seguida por Itaquaquecetuba, com 9.465, e Suzano, com 7.966.

Já Pavanato teve 25.652 votos em Mogi, 18.458 em Itaquaquecetuba e 17.656 em Suzano.

A votação do deputado federal eleito ainda chegou a 7.983 votos em Poá, 7.163 em Ferraz de Vasconcelos e 6.614 em Arujá.

Entre as demais cidades, Pavanato recebeu 3.261 votos em Santa Isabel, 1.236 em Biritiba Mirim, 1.184 em Guararema e 701 em Salesópolis.

Eduarda teve 4.639 votos em Ferraz, 4.345 em Poá, 3.783 em Arujá, 2.283 em Santa Isabel, 1.171 em Guararema, 994 em Biritiba Mirim e 524 em Salesópolis.

Presença regional 

Outro ponto que passou a ser discutido após a apuração foi a relação entre a presença dos candidatos na região e a votação obtida.

Nas ruas do Alto Tietê, ao mesmo tempo em que apoiadores comemoraram a eleição de Pavanato e Eduarda, também foi possível observar manifestações de indignação. Parte das críticas esteve relacionada às posições ideológicas dos dois eleitos, enquanto outra parcela questionou a quantidade de votos direcionada a candidatos que, segundo relatos e avaliações feitas durante a campanha, não tiveram presença significativa nos municípios do Alto Tietê.

A discussão ganhou força justamente porque a região possui candidaturas próprias e nomes que buscavam representar o Alto Tietê na Alesp e no Congresso Nacional.

Marcello Barbosa (Republicanos) é um exemplo. O candidato a deputado estadual não foi eleito por pouco mais de 200 votos no total. Nesse sentido, o ex-secretário de Governo de Itaquá precisaria de apenas 3% do total de votos destinados a Eduarda no município (9.465) para conquistar mais uma cadeira para o Alto Tietê.

Já Clau Camargo, liderança feminina mais competitiva na região, precisaria de mais 21 mil votos para se eleger pelo PSD, o que representa 40% dos votos conquistados por Eduarda no Alto Tietê.

O debate que fica, portanto, não é sobre a legitimidade desses votos, mas sobre o que o Alto Tietê poderia fazer politicamente com uma parcela tão expressiva de seus votos concentrada em candidaturas regionais.

Somente os votos de Pavanato e Eduarda somaram 142.338 votos na região,  um volume que expõe a força eleitoral do Alto Tietê e, ao mesmo tempo, reacende a discussão sobre como essa força pode ser convertida em representação política local nas próximas eleições.

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