Até o fechamento da edição, no final da tarde de sexta-feira, 31 de outubro, a população de Mogi das Cruzes ainda esperava que a Justiça suspendesse pelo menos uma das três ações contra a cobrança de pedágio nas rodovias Mogi-Dutra e Mogi-Bertioga, marcada para começar à zero hora de sábado. Enquanto isso, Arujá conquistava uma vitória importante ao obter na Justiça a suspensão da cobrança para seus moradores.
O acúmulo de absurdos com a implantação do sistema free flow nas rodovias construídas há décadas pelos mogianos beira o desrespeito. Difícil compreender por que o governo do Estado, sob Tarcísio de Freitas, insiste nessa medida — ou talvez não seja tão difícil assim.
Já denunciamos a obsessão do governador pela privatização a qualquer custo: Sabesp, CPTM e agora as estradas do Alto Tietê. Descobrimos agora que a privatização dessas rodovias foi o primeiro ato administrativo desse tipo assinado por Tarcísio assim que assumiu — três meses após negar em campanha que o faria.
O prefeito de Arujá, Dr Luís Camargo, ainda revelou que uma reunião com os prefeitos da região, marcada para discutir o tema com o governador, foi cancelada. Em vez de garantir o direito de locomoção, o Estado tornou-se sócio de uma indústria de multas e tarifas abusivas. O pedágio é mais do que uma taxa: simboliza a distância entre um governo que se diz técnico e a realidade de quem trabalha, estuda e vive às margens das rodovias. O preço dessa travessia, política e moral, está cada vez mais alto.





