Com a aproximação do fim de ano, repete-se um drama previsível: o avanço do comércio ilegal de fogos de artifício, que opera em garagens, galpões improvisados e até residências, transformando bairros inteiros em potenciais cenários de explosão.
A explosão no Tatuapé, na zona Leste da capital, ocorrida na noite de quinta-feira, 13 de novembro, é o exemplo mais recente dessa bomba-relógio. Um depósito clandestino, instalado em área residencial, espalhou pânico, destruição e mostrou como a combinação entre demanda alta e fiscalização insuficiente coloca cidades inteiras em risco.
São espaços sem ventilação, instalações precárias e nenhuma medida de segurança. Uma faísca basta para que todo o entorno seja ameaçado.
O Brasil já conhece tragédias semelhantes, como Santo Antônio de Jesus, em 1998, e o desastre em Niterói, em 1991. Mesmo assim, depósitos irregulares continuam surgindo justamente quando o consumo aumenta.
Em São Paulo, onde fogos com estampido são proibidos, o comércio clandestino se fortalece pela facilidade de compra e pela falta de responsabilização. O risco recai sobre vizinhos, trabalhadores e equipes de emergência que atuam em estruturas instáveis.
Fogos clandestinos não são tradição: são crime e perigo real. Cabe ao poder público intensificar operações e agir antes da próxima tragédia. À população, denunciar e não consumir.
O fim de ano deve ser celebração, não medo. Enquanto ignorarmos a gravidade do problema, viveremos sobre pólvora, esperando o próximo estopim.




