A população brasileira assiste, atônita, a uma das maiores catástrofes climáticas de todos os tempos: as chuvas e a invasão das águas dos rios que tiveram seus níveis elevados em grandes proporções devido às cheias no Rio Grande do Sul. Termos que não eram comuns entram no vocabulário da população e da Imprensa, como evento climático extremo, catástrofe socioambiental, emergência climática, refugiados climáticos, adaptabilidade e resiliência.
Mas por que tudo isso? Segundo o meteorologista brasileiro Carlos Nobre, referência mundial para estudos ambientais e mudanças climáticas, o que antes eram fenômenos naturais, hoje estão se tornando tão frequentes que já não há mais retorno. Infelizmente, o excesso de gases poluentes na atmosfera, que causam o efeito estufa, o aquecimento global e outros prejuízos ao Planeta, estão cada vez mais no nosso cotidiano e não devem nos deixar, pois faltam políticas públicas, investimentos, projetos e, sobretudo, planejamento em países subdesenvolvidos que possam resolver tais questões.
No Brasil, os gastos do governo federal para prevenir desastres naturais caíram 78,4%, segundo dados publicados pelo jornal Estadão desta semana. O que significa que esses recursos caíram de R$ 6,8 bilhões para R$ 1,47 bilhão, entre 2013 e 2023. Então, como esperar que problemas como estes se resolvam sem um orçamento público digno?
Sendo assim, o número de refugiados climáticos, que migram dentro do próprio país de uma cidade para outra, ficará cada vez maior, ocasionando um total desequilíbrio entre os municípios, que não estão preparados nem estruturados para receber tanta gente fugindo de cidades com problemas ambientais.
Com tantas casas, escolas, hospitais, pontes, estradas destruídas, como reconstruir tudo isso sem investimentos e sem que os problemas extremos, como desmatamento, gases poluentes, efeito estufa, altas temperaturas, baixas temperaturas, seca, chuvas torrenciais, entre outros, nos impeçam de viver?




