O governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teve as contas de 2024 aprovadas pelo TCE-SP, mas o que deveria ser um selo de boa gestão veio acompanhado de duras ressalvas. E uma delas é decisiva: sem a venda da Sabesp e da Emae, o governo teria encerrado o ano no vermelho, com um déficit de R$ 7,5 bilhões. Isso coloca em xeque a real capacidade de administração de quem sonha em comandar o Brasil.
Não se governa com liquidações anuais de patrimônio público. Como bem lembrou o conselheiro Sidney Beraldo, “não teremos uma Sabesp por ano para privatizar”. O superávit de R$ 8,2 bilhões não foi fruto de gestão eficiente, mas de um artifício pontual: vender ativos estratégicos. Isso não é gestão, é desmonte.
Mais grave ainda é a política de isenções fiscais: R$ 61 bilhões concedidos em 2024, sendo que 90% desse valor foi destinado a apenas 2,5% dos beneficiários. Não há critérios claros, tampouco transparência. Muitas dessas benesses foram criadas por decreto, sem debate na Alesp, favorecendo inclusive empresas com dívidas com o Estado. A pergunta é inevitável: a quem Tarcísio está servindo?
Como gestor, o governador parece mais preocupado em maquiar números com medidas de impacto imediato do que em construir políticas sustentáveis. Se, para equilibrar as contas de São Paulo, ele precisou vender o que era do povo, como pretende equilibrar as contas do Brasil?
Aprovado com ressalvas, Tarcísio se revela um bom leiloeiro de ativos, mas um administrador fraco.




