sábado, 21 fev, 2026

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Tarcísio e a lama

Da Redação

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O Governo de São Paulo acaba de anunciar mais um megaprojeto de desassoreamento do Rio Tietê (nesse caso, inclui também o Rio Pinheiros), com investimento de R$ 9,5 bilhões em 15 anos. O discurso oficial fala em eficiência hídrica e prevenção de enchentes, mas o Estado insiste na fórmula de sempre: gastar fortunas raspando o fundo do rio enquanto ignora as causas da poluição.

É verdade que existe o programa IntegraTietê, vendido como nova etapa da despoluição. Na prática, porém, a proposta apenas reempacota ações antigas, sem metas claras nem transparência sobre resultados. Suas obras avançam devagar, concentram-se nas áreas mais visíveis e pouco afetam o problema real — o esgoto que ainda chega sem tratamento.

Em vez disso, o governador carioca de São Paulo segue enterrando bilhões no fundo do Tietê. E o esgoto continua correndo a céu aberto, o lixo volta a se acumular e as margens permanecem degradadas. Tarcísio de Freitas transformou o rio em um canteiro de obras, não em um projeto ambiental.

Enquanto o Estado mede eficiência por quilômetros dragados, o rio segue sem vida. Nenhum programa de saneamento é eficaz quando falta prioridade política e visão de longo prazo. A despoluição do Tietê exige mais que contratos: exige coragem para mexer nas estruturas, integrar municípios e tratar o saneamento como política de Estado, não de marketing.

O desassoreamento é necessário, mas não pode substituir o saneamento. Sem enfrentar as causas da poluição, o Estado apenas revolve a lama.

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