Quando acontecem tragédias como os atentados na escola Raul Brasil, em Suzano, e o mais recente, na Thomazia Montoro, toda a sociedade, em meio ao horror, tenta encontrar os motivos que levam crianças a cometer tais atos de monstruosidade. Não raramente encontram o chamado bullying, jogos violentos ou filmes como bodes expiatórios, mas há uma discussão muito mais profunda a ser feita.
Em todos esses episódios, é possível notar um padrão: todos autores são garotos brancos que acabam canalizando suas frustrações sociais em discursos – e, por fim, atos – de ódio. São jovens que custam a aceitar que suas masculinidades brancas não os dão, por si só, aquilo que eles acreditam que merecem.
É claramente necessário um maior acompanhamento psicológico aos estudantes, mas nada surtirá efeito enquanto não houver uma drástica mudança na lógica escolar. Toda vez que coloca-se em debate um modelo mais libertário de educação, brotam de todos os cantos reacionários bradando que se trata de “doutrinação”, “ideologia de gênero” e coisas do tipo.
Esquecem-se (ou ignoram), no entanto, que o ambiente escolar é o berço da sociedade e, para formar cidadãos, deve se tornar um local de debate livre e celebração da diversidade e do pensamento crítico. “Às vezes não dá para ser didático tendo que quebrar o tabu e os costumes frágeis das crenças limitantes”, já disse o poeta.
Urge que o ambiente escolar seja aberto para a sociedade. Que nele nasça o Brasil necessário, plural e diverso, com Jesus, Buda, Maomé e Exú. Já!




