sábado, 21 fev, 2026

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Quando um banco quebra: o que o caso do Banco Master ensina ao empreendedor

Josué Coimbra

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A liquidação do Banco Master caiu como um balde de água fria no mercado financeiro. Não é todo dia que uma instituição desse porte simplesmente deixa de operar — e, menos ainda, que isso aconteça envolvendo problemas de liquidez, e até prisão do dono.

Mas, além da manchete, há um ponto que merece um olhar atento: o que um evento como esse significa para quem empreende?

O risco que ninguém vê — até acontecer

Todo empreendedor já ouviu falar de risco: risco de mercado, risco operacional, risco de crédito, risco de não receber. Mas poucos consideram que o próprio banco pode ser um risco.

A verdade é simples e incômoda: não importa o tamanho do banco — se ele quebra, o seu dinheiro pode virar um problema de meses (ou anos) para resolver. A garantia do FGC existe, claro, mas é limitada, tem fila, tem procedimento, tem tempo de espera. E enquanto isso… o boleto vence, o fornecedor cobra e a folha chega.

Diversificar não é “coisa de investidor”: é coisa de empreendedor

O empresário brasileiro entende a importância de não depender de um único cliente. Mas quase ninguém aplica esse raciocínio ao financeiro da própria empresa. Deixar todo o caixa em um único banco é cometer, sem perceber, o mesmo erro de depender de um único contrato.

Uma quebra como a do Master escancara isso: quem tinha contas, aplicações ou operações travadas ali viu a empresa parar — mesmo sem ter cometido erro algum.

Caixa saudável é caixa protegido. Ter reserva não basta. Um empreendedor maduro precisa ter: contas em mais de um banco; parte do caixa em instrumentos garantidos pelo FGC; limites e linhas de crédito em instituições diferentes; e, sempre que possível, separar operacional de reserva.

A lição final: o Brasil não é para amadores

O ambiente de negócios brasileiro já é duro por natureza: impostos, burocracia, volatilidade, insegurança jurídica. Agora adicionamos mais um ingrediente: a possibilidade de um banco relevante simplesmente sumir do mapa. E é exatamente por isso que o empreendedor precisa pensar como gestor financeiro — mesmo que essa não seja a sua área. Não é questão de paranoia. É questão de sobrevivência.

A queda do Banco Master talvez não cause um risco sistêmico, como dizem os analistas. Mas para milhares de empreendedores que tinham capital travado lá, o risco foi 100% real. E a grande lição é essa: no Brasil, quem empreende não pode só trabalhar para ganhar dinheiro — precisa, antes de tudo, trabalhar para não perdê-lo.

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