Som alto de madrugada, festa que não acaba, caminhão parado com o motor ligado. Incômodos que muita gente trata como parte da rotina, agora ganham endereço e mapa. É o que propõe o Canal Poluição, plataforma colaborativa em que o morador relata barulho, fumaça e mau cheiro pelo WhatsApp, em um chat que guia o registro passo a passo, sem precisar se identificar.
Cada relato é georreferenciado e vira dado em mapas e relatórios. A ideia, segundo a plataforma, é formar um banco de dados que autoridades, indústrias e empreendimentos possam usar, no futuro, no planejamento e na gestão socioambiental. Quando dá para identificar o suposto responsável, o canal busca informá-lo e oferece a chance de se explicar. Os registros são relatos pessoais, sem medição técnica.
E o que os moradores do Alto Tietê têm registrado? A maioria dos relatos são de barulho. Dos 23 registros associados às dez cidades da região, 22 são de ruído, segundo levantamento até 8 de outubro, fornecido pelo Canal Poluição. Música alta, festas, vizinhança, comércio e máquinas lideram as queixas.
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Suzano tem sete registros (30,4%); Mogi das Cruzes, seis (26,1%); Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba, quatro cada (17,4%); e Poá, dois (8,7%). Arujá, Biritiba Mirim, Guararema, Salesópolis e Santa Isabel não tiveram registros, o que, segundo o relatório, não indica ausência de poluição.
Dezessete usuários (73,9%) disseram que o problema ocorre “sempre” ou “várias vezes ao dia”, e 16 (69,6%) o classificaram como “incomoda muito” ou “impede a permanência no local”. Um relato de Suzano descreve música de um estabelecimento que começaria perto da meia-noite e iria até às 4h ou 5h, com dificuldade para dormir e crianças pequenas. Em Ferraz, um morador aponta ruído de máquinas de uma fábrica de móveis.
Em Itaquaquecetuba, três dos quatro usuários afirmaram que o som alto ocorre sempre, e um registro menciona barulho às 3h48 da manhã.
Em Mogi, dois registros de som alto têm coordenadas separadas por cerca de quatro metros, o que, para o canal, sugere persistência de uma fonte no mesmo entorno. Os dados não permitem afirmar se partiram da mesma pessoa.
O único registro fora da categoria de ruído é de Poá: o morador relata odor e fagulhas que atribui à queima de fios, plásticos e pneus em um galpão de reciclagem.