São Paulo amanheceu com a notícia de que a Operação Ícaro prendeu nomes de peso, incluindo o dono da Ultrafarma, em um esquema bilionário de fraudes no ICMS. O esquema, segundo o Ministério Público, manipulava processos administrativos para liberar créditos tributários mediante pagamento de propina, favorecendo empresas e enriquecendo servidores corruptos.
Enquanto isso, o “governador carioca” ampliava como nunca as isenções fiscais. Dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo mostram que as renúncias chegaram a R$ 61 bilhões em 2024, com previsão de R$ 71,5 bilhões em 2025 e até R$ 80 bilhões em 2027. Tudo concedido sem transparência, por meio de decretos, e sem comprovação de retorno social ou econômico.
As críticas do TCE são contundentes: falta de fiscalização, dificuldade de auditoria e total desconexão entre os benefícios e o planejamento orçamentário. O mais alarmante é que o governo não investigou nada durante o crescimento explosivo das isenções, mesmo enquanto um dos maiores esquemas de corrupção da história paulista operava à plena vista. Só após a intervenção do Ministério Público a Secretaria da Fazenda tomou alguma atitude.
Num estado que se orgulha de ser o motor econômico do país, isso não é apenas má gestão; é um risco para a própria democracia fiscal. É urgente convocar explicações formais, abrir uma CPI e revisar cada centavo renunciado.
E há um alerta adicional: o atual governador sonha em ser presidente do Brasil. Mas se não consegue cuidar com rigor e transparência do Estado que governa, como poderá cuidar do País.





