Há números que dizem muito mais do que aparentam. Em Itaquaquecetuba, um deles chama atenção de forma especial: cerca de 66% de tudo o que o município gasta com locações serve para manter escolas e estruturas administrativas funcionando em imóveis que não pertencem à cidade.
O aluguel pode ser uma solução emergencial. O que não pode é virar política pública permanente. Quando isso acontece, evidencia-se uma sucessão de administrações incapazes de planejar o crescimento do município e preparar a infraestrutura necessária para atender sua população.
Itaquaquecetuba não é uma cidade pequena. É a segunda maior do Alto Tietê, tem uma das maiores redes de ensino da região e cresce há décadas. Justamente por isso, causa estranheza que, em pleno século XXI, ainda dependa de tantos imóveis alugados para garantir um serviço essencial como a educação.
A pergunta que fica é inevitável: e se esses R$ 52 milhões tivessem sido investidos diretamente nos alunos? Quantas escolas poderiam ter sido construídas? Quantas unidades ampliadas, modernizadas ou equipadas? Quantos espaços próprios estariam hoje atendendo crianças com mais qualidade e dignidade?
Dinheiro gasto com aluguel desaparece no tempo. Dinheiro investido em patrimônio público permanece por décadas, reduz custos futuros e fortalece a educação. Itaquaquecetuba precisa romper esse ciclo. Mais do que pagar contas mensais, a cidade precisa construir um legado. Porque educação não deveria funcionar de aluguel. Muito menos o futuro de uma cidade.