domingo, 22 fev, 2026

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O Brasil que empreende: coragem, crise e a arte de começar

Josué Coimbra

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Num país onde abrir um negócio muitas vezes é mais difícil que passar num concurso público, empreender virou sinônimo de resistência. O empreendedor brasileiro não nasce apenas de um plano de negócios: ele nasce da necessidade, da ousadia e da fé de que é possível construir algo em meio ao caos.

Segundo o Sebrae, mais de 70% dos empreendedores começam por necessidade — e não por vocação. Isso revela muito sobre o cenário nacional: empreender, no Brasil, é ato de coragem. Mas também é oportunidade de transformação.

Empreender é mais do que vender produtos ou serviços. É identificar problemas, gerar soluções e, acima de tudo, criar valor. É fazer girar a economia local, gerar empregos, formar redes, fortalecer comunidades. Cada pequeno negócio aberto é uma tentativa de mudar a realidade — mesmo que seja a realidade de uma só família.

Mas por que, em um país tão cheio de burocracia, juros altos e baixa educação financeira, o empreendedorismo cresce?

Porque ele desperta aquilo que há de mais poderoso no ser humano: o desejo de autonomia. É o grito silencioso de quem não quer depender, não quer pedir, não quer esperar. Empreender é, em certo sentido, romper com o fatalismo. É dizer: “Eu posso”.

No entanto, não basta apenas começar. Empreender exige estratégia, resiliência e inteligência emocional. Quem não entende o seu cliente, não sobrevive. Quem não cuida do fluxo de caixa, quebra. Quem não aprende a comunicar seu valor, desaparece.

Por isso, o empreendedor precisa mais do que força de vontade. Ele precisa de formação, de conteúdo, de rede de apoio e, principalmente, de mentalidade — uma mentalidade que aceite o erro como parte do caminho, que aprenda a se adaptar e que não desista diante do primeiro tropeço.

O empreendedorismo pode, sim, mudar o Brasil. Mas só se o país também começar a mudar sua relação com quem empreende: menos obstáculos, mais educação, menos tributos, mais incentivo.

Enquanto isso não acontece, seguimos com o Brasil real — o Brasil que acorda cedo, aposta tudo numa ideia e recomeça quantas vezes for preciso.

Porque, no fim, empreender é isso: fazer da própria vida o seu principal projeto.

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