Mogi das Cruzes registrou a maior redução de poluição entre os afluentes do rio Tietê monitorados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) na Região Metropolitana de São Paulo. No Córrego Lavapés, a concentração de matéria orgânica caiu 56% entre 2024 e o período mais recente analisado.
O resultado foi divulgado nesta terça-feira (22), Dia do rio Tietê. O indicador do Lavapés passou de 29 miligramas por litro (mg/L), em 2024, para uma média de 13 mg/L entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.
O levantamento da Cetesb acompanha 30 rios e córregos que deságuam no Tietê na Grande São Paulo.
Outro afluente de Mogi também apresentou melhora. No Ribeirão Ipiranga, a concentração de matéria orgânica passou de 15 mg/L para 14 mg/L, redução de aproximadamente 6%.
Os resultados são baseados na medição do Carbono Orgânico Total (COT), indicador utilizado para acompanhar a quantidade de matéria orgânica presente na água e a poluição associada, entre outros fatores, ao lançamento de esgoto. Nesse indicador, concentrações menores representam melhora.
Segundo José Luiz Furtado, o Zé Luiz, diretor-geral do Semae, os resultados refletem as ações adotadas pelo serviço de saneamento para melhorar a eficiência operacional.

“Esses dados mostram que o trabalho está dando resultado. Desde o início da gestão da prefeita Mara Bertaiolli, a gente vem trabalhando no Semae pela prevenção, com a limpeza das redes de esgotamento sanitário, além de manutenções diárias. Quando a gente se antecipa aos problemas, reduz os vazamentos e evita falhas, isso também se reflete na qualidade dos nossos córregos e rios. Ainda temos muito trabalho pela frente, mas é muito bom ver que estamos no caminho certo.”
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Afluentes de Itaquá também apresentam redução
Os três cursos d’água monitorados em Itaquaquecetuba apresentaram queda na concentração de matéria orgânica.
No Ribeirão Jaguari, a redução chegou a 31%, com o indicador passando de 50 mg/L para 34 mg/L. No Ribeirão Três Pontes, houve queda de 29%, de 30 mg/L para 21 mg/L. Já no Ribeirão Perová, o índice passou de 26 mg/L para 22 mg/L, redução de 14%.
Apesar de o Córrego Lavapés ter apresentado a maior redução percentual individual, a Cetesb também considera a área de drenagem dos afluentes para avaliar o impacto conjunto dos cursos d’água.
Entre os pontos monitorados em Mogi e Itaquá, o Ribeirão Perová possui a maior área de drenagem, com 32,7 quilômetros quadrados. Em seguida estão o Ribeirão Jaguari, com 17 km²; Ribeirão Três Pontes, com 8,8 km²; Ribeirão Ipiranga, com 4,7 km²; e Córrego Lavapés, com 3 km².
Poluição cai 23% entre afluentes monitorados
Considerando o peso das áreas de drenagem, a concentração média de matéria orgânica nos 30 afluentes monitorados caiu de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e 20,1 mg/L em 2026. A redução acumulada no período chegou a 23%.
Dos 30 afluentes acompanhados, 13 apresentaram redução na concentração de matéria orgânica. Segundo os dados divulgados, o resultado de 2026 também ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida pelo Programa IntegraTietê para este ano.
A redução também foi observada no próprio rio Tietê. Na saída da Região Metropolitana de São Paulo, a quantidade de matéria orgânica transportada pelo rio passou de 218 toneladas por dia, em 2024, para 154 toneladas em 2026. São 64 toneladas a menos por dia, queda de aproximadamente 29%.
Monitoramento foi ampliado
A quantidade de afluentes monitorados pela Cetesb na Grande São Paulo quase triplicou nos últimos anos. Em 2023, eram 11 pontos de acompanhamento. Desde 2024, são 30.
A ampliação priorizou regiões onde estavam previstas intervenções para aumentar a coleta de esgoto. A intenção é acompanhar a resposta dos rios e córregos às obras de saneamento e identificar áreas onde os indicadores ainda precisam avançar.
O monitoramento faz parte do IntegraTietê, programa lançado pelo Governo de São Paulo em 2023 que reúne iniciativas de saneamento, desassoreamento, fiscalização, acompanhamento da qualidade da água, recuperação ambiental e requalificação das margens.
Segundo o governo estadual, os investimentos nas diferentes frentes do programa ultrapassam R$ 22 bilhões. Desde o início das ações, mais de 1,5 milhão de imóveis foram conectados à rede de esgoto, alcançando cerca de 4,5 milhões de pessoas.
No desassoreamento, foram retirados mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos desde 2023, equivalente a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Os investimentos nessa frente superam R$ 1,4 bilhão.