Com o lançamento do programa SuperAção, em maio, o governador Tarcísio de Freitas tenta pintar um retrato de compromisso com os mais pobres. Mas a realidade, especialmente para regiões como o Alto Tietê, é bem diferente. O programa, anunciado com holofotes e discursos, esconde por trás do marketing um desmonte silencioso da política social paulista.
Os números são implacáveis: o governo estadual deixou de gastar R$ 831 milhões na área social entre 2023 e 2024. Agora, apresenta como solução um programa de R$ 500 milhões, valor menor que o montante subutilizado nos últimos dois anos. No papel, o SuperAção aparece como uma iniciativa inovadora; na prática, não passa de maquiagem eleitoral com efeito limitado.
Enquanto o Bolsa do Povo foi desativado — mesmo tendo beneficiado 700 mil pessoas —, o SuperAção promete atender apenas 105 mil famílias, num estado com 3,7 milhões inscritas no Cadastro Único. E o que já está previsto para 2025 é alarmante: menos de 0,2% da verba prevista foi empenhada até o início de junho. No Alto Tietê, onde a vulnerabilidade social é real e crescente, o programa mal chegou. Faltam ações concretas, sobra propaganda.
O governo Tarcísio falha em compreender que assistência social não é gasto: é investimento. Mas a escolha tem sido clara — desmontar programas que funcionavam para redirecionar recursos a interesses políticos e corporativos. O SuperAção, assim como o discurso que o embala, é uma promessa vazia. E as famílias do Estado e da região que mais precisam continuam à margem.





