sexta-feira, 21 ago, 2026

Leitura: Justiça suspende contrato milionário da Câmara de Arujá com empresa que teria bancado festa particular da presidente

Justiça suspende contrato milionário da Câmara de Arujá com empresa que teria bancado festa particular da presidente

Decisão cita fortes indícios de irregularidades como sobrepreço e favorecimento; empresa teria sido patrocinadora do “Arraiá dos Amigos da Professora Cris”
Lailson Nascimento

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A Justiça de São Paulo determinou a suspensão imediata do contrato nº 287/2025, firmado entre a Câmara Municipal de Arujá e a empresa Vivace Educação e Cultura Ltda, no valor de R$ 1,55 milhão, após acolher pedido do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) que apontou indícios de favorecimento, sobrepreço e violação ao princípio da impessoalidade. A Câmara disse que irá recorrer da decisão.

A decisão, assinada pelo juiz Guilherme Lopes Alves Pereira, da 1ª Vara de Arujá, menciona que há indícios de que a empresa teria patrocinado um evento particular da então presidente da Câmara, vereadora Cristiane Oliveira (PSD), a Profª Cris — o “Arraiá dos Amigos da Professora Cris” —, fato que reforça as suspeitas de conflito de interesse. O patrocínio teria sido anunciado pela própria vereadora em suas redes sociais.

A ação civil pública movida pelo Ministério Público aponta irregularidades no Pregão Eletrônico nº 01/2025, que resultou na contratação da Vivace para ministrar cursos de formação continuada a servidores e à comunidade por meio da Escola do Legislativo.

De acordo com a investigação, a Vivace foi a única participante do certame, vencendo sem concorrência. O valor da hora-aula (R$ 2.602,67) seria quase três vezes maior que o pago pela Prefeitura de Arujá (R$ 885,90) em contrato similar, além de incluir equipamentos de sonorização e iluminação considerados atípicos para cursos administrativos, como máquina de fumaça e mesa DMX 512.

O juiz afirmou existirem “robustos indícios de irregularidades” e que a continuidade dos pagamentos, totalizando R$ 1,55 milhão, poderia causar “prejuízo de difícil reparação ao erário”, razão pela qual concedeu tutela provisória de urgência para suspender o contrato e proibir novos repasses à empresa, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

A Câmara e a Vivace têm 15 dias para apresentar defesa. O Ministério Público pede a anulação da licitação e a devolução dos valores já pagos, podendo o caso resultar em ação de improbidade administrativa.

Silêncio da Câmara

Procurada pela GAZETA , a Câmara Municipal de Arujá não se manifestou até a publicação da reportagem. Entretanto, explicou a outros veículos de imprensa que cumprirá integralmente a decisão judicial provisória, mas recorrerá da liminar.

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