A prisão de Jair Bolsonaro expõe mais do que o desfecho pessoal de um líder: revela um país esgotado de depender sempre dos mesmos nomes para decidir seu futuro. A direita não tem um sucessor claro. A esquerda tampouco. E, entre um polo e outro, ninguém realmente desponta como alternativa nacional capaz de representar o Brasil que existe para além da polarização. A ausência de novos protagonistas não é apenas um sintoma — é um risco.
O vácuo deixado por Bolsonaro, agora definitivamente impedido, deveria ser a oportunidade para o surgimento de lideranças que falem ao país do presente, e não ao passado recente. Mas a disputa por seu espólio mostra um campo político que ainda gira em torno de uma figura que já não pode sequer disputar eleições. Do outro lado, a hegemonia de Lula continua tão sólida que inibe a emergência de alguém que dialogue com o futuro da esquerda. E, no centro, resta um deserto: ninguém empolga, ninguém lidera, ninguém cresce.
O Brasil não pode esperar por messias, nem da direita, nem da esquerda, nem da vã “terceira via” que nunca se materializa. O que falta é coragem para que novos quadros deixem de ser coadjuvantes e assumam o protagonismo que o país exige. Lideranças com biografia limpa, visão estratégica, capacidade de construir alianças e, sobretudo, compromisso com a Nação acima de qualquer culto pessoal.
Se a prisão de Bolsonaro simboliza o fim de um ciclo, que também simbolize o início de outro: o da renovação. O Brasil merece mais do que reviver disputas passadas. Precisa de quem aponte caminhos. De quem lidere. De quem inspire. É hora de novos nomes. É hora de um novo país.



