Desde a redemocratização, principalmente a promulgação da Constituição de 1988, a liberdade de imprensa é considerada um direito fundamental, tendo a censura institucional sido enterrada junto da Ditadura. De lá para cá, o pau-de-arara nos porões dos militares deixou de ser uma preocupação aos jornalistas, o que não significa que está fácil para a classe, principalmente em contextos regionais e com veículos de médio e pequeno porte.
Sem entrar no mérito das mudanças de paradigma sentidas por conta das redes sociais e sua lógica deturpada de priorizar conteúdos, tampouco da dificuldade de financiamento, uma forma comum de aplicar censura velada é o tratamento desrespeitoso dado por órgãos públicos a veículos que eles julgam “de menor importância”.
Isso ocorre em todas as esferas de poder – afinal, muitas vezes o jornalismo não é interessante –, mas tem sido gritante o desmerecimento com que Secretarias e empresas ligadas ao governo estadual têm tratado a imprensa desde o início da gestão Tarcísio de Freitas.
Não se sabe qual o direcionamento, nem quem deu, mas tem sido comum, por parte das assessorias, tentativas de sabotagem às pautas que não agradam, a começar pelo ortodoxo – e inédito – método de se negar a responder por escrito questionamentos espinhosos, isso quando não são ignorados.
Por vezes assessores de imprensa se esquecem que, mesmo “do outro lado do balcão”, devem ter o mesmo compromisso com a verdade e o bem público.
A quem suportou a tortura, isso pouco abala. O jornalismo regional seguirá resistindo e dando voz àqueles que ninguém dá.




