terça-feira, 7 abr, 2026

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Fidelidade e poder

Da Redação

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Política não premia virtudes. Premia estratégia. Ainda assim, há um elemento que, quando bem utilizado, amplia as chances de sucesso: a fidelidade. Não como valor moral, mas como ativo dentro de um projeto de poder. Dois políticos do Alto Tietê ajudam a entender isso.

De um lado, a trajetória de Rodrigo Ashiuchi. Após oito anos à frente da Prefeitura de Suzano, deixou o cargo com alta aprovação, transferiu votos de forma consistente para o sucessor e manteve-se inserido em espaços estratégicos. Mais do que fidelidade partidária, construiu um arranjo político sólido, com base, grupo e continuidade.

Os números confirmam: saiu de uma vitória em segundo turno, em 2016, para uma hegemonia consolidada em 2020, com mais de 80% dos votos válidos. Esse capital foi, em grande medida, herdado por Pedro Ishi em 2024.

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Do outro lado, Eduardo Boigues, que trilhou caminho semelhante até certo ponto. Também alcançou hegemonia eleitoral em Itaquaquecetuba, ampliando sua votação entre 2020 e 2024. Mas, ao tentar antecipar um salto político sem o mesmo nível de estrutura, expôs fragilidades. A desistência de última hora da candidatura a deputado federal não é apenas um ruído de percurso. É sintoma de cálculo político mal feito.

A diferença entre os dois não está na fidelidade em si, mas no que foi construído a partir dela. Ashiuchi estruturou poder. Boigues tentou expandi-lo sem base equivalente. Na política, quem estrutura permanece. Quem força o salto corre o risco de não ter para onde voltar.

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