Os municípios produtores de água do Alto Tietê desempenham papel vital para milhões de pessoas na Grande São Paulo e em outras regiões do Estado. Nossas represas e mananciais abastecem desde residências até indústrias e serviços essenciais. Em períodos de estiagem, como o atual, a importância desses municípios se torna ainda mais evidente: sem suas reservas estratégicas, o abastecimento geral correria risco severo.
Apesar de sua relevância, esses municípios enfrentam sérias limitações em seu desenvolvimento econômico e urbano. O uso de seus recursos hídricos pelos demais depende de sacrifícios locais: restrições de uso do solo, limites à expansão urbana e desafios ambientais que impactam diretamente a vida de seus moradores.
Existem leis que preveem compensações e investimentos para equilibrar essas responsabilidades, reconhecendo que proteger mananciais é um serviço de interesse coletivo. No entanto, a realidade mostra que essas compensações, quando ocorrem, são insuficientes ou demoradas, deixando os municípios à mercê de políticas públicas pouco efetivas. É um paradoxo: justamente aqueles que garantem a água para milhões ficam sem recursos adequados para investir.
Valorizar e compensar os municípios produtores de água não é apenas uma questão de justiça: é uma estratégia inteligente de gestão hídrica. Garantir que essas cidades se desenvolvam enquanto protegem os mananciais significa investir na segurança hídrica de todo o Estado. Ignorar essa lógica compromete não só o presente, mas também o futuro de milhões.


