Encerrado o primeiro turno das eleições gerais, surgem alguns candidatos derrotados. Muitos reclamando e procurando responsáveis pelo resultado: o partido, os aliados, até os eleitores. Parece que todos são culpados, menos o próprio candidato.
Entretanto, uma eleição não começa 45 dias antes da votação. Sua construção pode levar anos. É no relacionamento com a sociedade, na coerência do discurso e no trabalho realizado fora do período eleitoral que se constrói a confiança necessária para conquistar um mandato.
Uma candidatura vitoriosa não nasce do acaso, ela é apenas a materialização de um processo construído ao longo do tempo. O mesmo raciocínio se aplica ao mundo empresarial.
Não é raro encontrar empresários que atribuem a falta de movimento em seus negócios à taxa de juros, ao governo, às condições do mercado ou até às decisões de Donald Trump. É inegável que vivemos um período de incertezas econômicas, marcado por dificuldades internas e tensões internacionais que podem produzir reflexos sobre a economia brasileira.
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Em momentos adversos, o empresário precisa olhar para fora, compreender a conjuntura e acompanhar os movimentos da economia. Porém, precisa também olhar para dentro: avaliar seus custos, rever sua estratégia, compreender as mudanças no comportamento do consumidor e identificar se seu negócio continua oferecendo aquilo que o mercado procura. Afinal, nenhuma empresa existe por si mesma. Sua razão de existir é o cliente.
Ainda assim, muitos empresários parecem esquecer que o consumidor é a figura central de qualquer atividade econômica. Esperam que ele se adapte aos preços, aos produtos, aos processos e às conveniências da empresa, quando deveria ser justamente o contrário: a empresa precisa compreender o consumidor e oferecer valor para conquistar sua preferência.
Isso não significa ignorar os juros elevados, a perda de poder aquisitivo ou as dificuldades econômicas. Significa reconhecer que a conjuntura impõe desafio. Na política e nos negócios, existe uma tentação semelhante: atribuir o fracasso exclusivamente às circunstâncias e transferir a terceiros a responsabilidade pelos resultados. Uma empresa fecha suas vendas no presente, mas seu desempenho também é resultado das decisões tomadas ao longo do tempo. Afinal, reconhecer os obstáculos é necessário. Aprender com eles, porém, é indispensável para quem pretende vencer as próximas eleições.