Dez anos se passaram desde a crise hídrica de 2015, quando milhões de paulistas viveram o drama de abrir a torneira e não ver uma gota sequer. Naquele tempo, a seca foi dura, mas ficou claro que o verdadeiro deserto estava na ausência de política pública consistente para enfrentar o desafio da água. Agora, em 2025, a história se repete: o governo anuncia racionamento em plena Região Metropolitana, com a mesma Sabesp reduzindo pressão à noite para tentar economizar alguns metros cúbicos por segundo.
O problema é que nesses dez anos governos foram e vieram e faltou planejamento. Deixaram passar a chance de investir pesado na recuperação dos mananciais, no combate às perdas na rede e em obras estruturais para dar segurança hídrica a quem vive no maior estado do país. Faltou compromisso real com a água, bem essencial à vida e ao desenvolvimento.
Caso à parte é o governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, por sua vez, preferiu centrar esforços na privatização da Sabesp. Houve tempo para discutir a venda, mas não para construir uma política de Estado capaz de impedir que os reservatórios voltassem a níveis críticos. O resultado é que a população, mais uma vez, paga a conta.
Os paulistas não podem viver de medidas paliativas a cada estiagem. O que se exige é seriedade, continuidade e coragem política para tratar a água como prioridade absoluta. Sem isso, daqui a outros dez anos, estaremos repetindo este mesmo editorial — e a sede, como sempre, será do povo.



