O Brasil assiste, mais uma vez, à tentativa de transformar um problema de gestão pública em discurso político. Enquanto o Governo Federal tenta avançar com a PEC da Segurança Pública, cuja tramitação sofre resistência de governadores e parlamentares bolsonaristas, o país volta a debater o que realmente significa “segurança”.
Por aqui em São Paulo, o retrato é de desalento. Sob a gestão Tarcísio de Freitas, as mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 59,2% em um ano — 812 vítimas em 2024, o maior número entre nove estados. O dado representa uma morte a cada 11 horas, com jovens e negros como principais alvos. A mudança no uso das câmeras corporais, agora controladas pelos próprios policiais, simboliza o retrocesso: quando o controle se afrouxa, a violência retorna.
Ao mesmo tempo, o Sindicato dos Delegados cobra o governador pelo não cumprimento das cinco promessas feitas à Polícia Civil, que vão de reajuste salarial a melhoria de estrutura e plano de carreira. A categoria denuncia a falta de diálogo e a ausência de valorização de uma instituição que o próprio Tarcísio dizia querer “olhar com carinho”.
Enquanto municípios investem em Guardas Civis, o Estado mais rico do país convive com práticas que nos fazem regredir a tempos anteriores às câmeras e à transparência.
Segurança pública não se constrói com bravatas, mas com responsabilidade. É urgente recuperar o foco em políticas baseadas em dados, formação e controle. Sem isso, continuaremos colecionando relatórios e estatísticas — e sepultando jovens.


