A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, sob a justificativa de que o governo Lula interfere no julgamento de Jair Bolsonaro e em processos contra plataformas digitais, representa um grave ataque à soberania nacional e escancara as contradições da direita brasileira.
Ao recorrer a uma retaliação de viés político, Trump atinge em cheio setores estratégicos da economia — como metais, carnes, frutas e autopeças — e compromete milhares de empregos no Brasil e nos próprios EUA, onde produtos brasileiros ficarão mais caros.
A ofensiva é incoerente também sob a ótica comercial: há mais de 15 anos os Estados Unidos acumulam superávit com o Brasil. Trata-se, portanto, de uma decisão movida por interesses eleitorais, apoiada por setores bolsonaristas que incentivaram sanções contra o Supremo e o governo brasileiro.
Ao reagir, a bancada ruralista — majoritariamente aliada de Bolsonaro — cobra agora uma resposta firme do Governo Federal. É a mesma ala que, até há pouco, celebrava o alinhamento com Trump. A crise expõe a irresponsabilidade de quem se aliou a um projeto externo que ignora os princípios básicos da diplomacia e os interesses nacionais.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e possível candidato à Presidência, tenta transferir a responsabilidade a Lula. Mas o gesto revela mais cálculo político do que compromisso com a verdade. Se a direita deseja liderar o país, precisa escolher: defender o Brasil ou se submeter a agendas estrangeiras.




