As fortes chuvas dos últimos dias voltaram a castigar Itaquaquecetuba, deixando ruas alagadas, imóveis ameaçados e moradores ilhados em diferentes pontos da cidade. Entre sábado (12) e domingo (13), o município acumulou 117 milímetros de chuva. Diante dos estragos, a prefeitura decretou situação de emergência por 180 dias.
Bairros próximos ao Rio Tietê, como Vila Maria Augusta, Vila Sônia, Fiorello e Vila Japão, estão entre os locais atingidos pelo transbordamento. A GAZETA esteve na Vila Japão e encontrou moradores circulando em meio à água, além de vias com restrições de acesso.
Moradora da região há 38 anos, Jéssica Oliveira de Brito, do lar, afirma que convive com o problema desde que chegou ao bairro. Em uma das enchentes mais graves, a água subiu cerca de meio metro dentro de sua residência.
“Os móveis que são de madeira não têm jeito, perde mesmo. Infelizmente, nada muda. Entra ano, sai ano e continua”, lamentou. Para Jéssica, deixar o local não é uma escolha simples. “Cada um mora onde pode morar. Você acha que, se eu tivesse condições, estaria aqui? É onde eu posso morar.”
A moradora também chama atenção para os riscos à saúde provocados pelo contato com a água contaminada e teme que a situação se agrave com a chegada do período tradicionalmente mais chuvoso. “Essa enchente aqui é um aviso, porque dezembro vai ser pior, janeiro vai ser pior”, afirmou.
Outro morador ouvido pela reportagem vive na Vila Japão há 37 anos e conta que as enchentes fazem parte da rotina do bairro. “Todo ano enche. Não passa um ano sem encher”, relatou o aposentado Jorge Antônio. Segundo ele, em episódios anteriores, a água chegou a subir cerca de um metro e invadiu sua casa. Depois dos primeiros prejuízos, a família passou a levantar os móveis sempre que percebe o nível da água aumentando.
Além dos alagamentos, algumas ruas da Vila Japão precisaram ser interditadas por causa do avanço da água. Apesar do bloqueio, a reportagem constatou a ausência de agentes de trânsito no local, deixando motoristas e pedestres responsáveis por improvisar desvios e atravessar a via por conta própria, mesmo diante do risco provocado pela água acumulada.
O decreto de emergência permite ao município mobilizar órgãos públicos, convocar voluntários e realizar campanhas para atender a população e recuperar as áreas atingidas.
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