Nesta edição, a GAZETA traz duas situações que acontecerão na cidade de Poá, mas que são simbólicas do que ocorre em todo o país. Olhando friamente, elas não parecem conectadas, mas exemplifica a forma como administradores públicos elencam suas prioridades.
A primeira diz respeito à distribuição dos recursos enviados à cidade pelo Governo Federal, via Lei Paulo Gustavo, para financiamento de projetos culturais. A reportagem aponta para o descaso com que a gestão de Márcia Bin tratou o tema, a ponto de quase perder R$ 1 milhão, o que só não deve ocorrer, graças à mobilização dos artistas poaenses.
De acordo com uma das fontes, a secretaria poaense de Cultura não tem sequer funcionários o suficiente para dar andamento aos trabalhos.
Por outro lado, a gestão de Bin não perdeu a oportunidade de aumentar a taxa cobrada pelo Zona Azul. Isso, além de todas as questões que envolvem este serviço na cidade, como a falta de retorno para os motoristas e cobranças injustificáveis.
A situação não ocorre por acaso. O serviço de estacionamento rotativo é realizado por uma empresa, e é aí que existe a ligação com o caso da cultura.
As razões para as políticas culturais não terem a mesma atenção que medidas que favorecem – única e exclusivamente – a empresas privadas são diversas. Cabe a cada um refletir sobre elas.
O preconceito e o descaso com a ainda incipiente indústria cultural brasileira não é exclusividade de Poá. Precisamos, enquanto sociedade, nos atentar às prioridades dos gestores públicos. Urgentemente.




