O governador carioca de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pode estar apostando alto em um jogo perigoso: adiar investimentos no Estado agora, para gastar em ritmo acelerado apenas em 2026, ano eleitoral. Prefeitos ouvidos pela GAZETA foram categóricos: se o Palácio dos Bandeirantes continuar ignorando as demandas dos municípios agora, dificilmente colherá frutos nas urnas depois.
A estratégia — se confirmada — é arriscada e até desrespeitosa. Mesmo com uma arrecadação recorde, o Governo Estadual investiu até agora apenas 10% do previsto no orçamento. Enquanto isso, obras estão paradas, emendas deixaram de ser pagas e cidades do Alto Tietê seguem à margem das prioridades do Estado.
Tarcísio, que se elegeu prometendo eficiência e inovação, parece ter estacionado no velho modo de governar: represar recursos para usá-los como vitrine eleitoral. Os números são contundentes. O orçamento previsto para investimentos era de R$ 22,4 bilhões, mas só R$ 2,39 bilhões foram efetivamente investidos. O restante virou “promessa de empenho”, e promessa, como sabemos, não asfalta ruas nem constrói escolas.
A população está cansada de aparecer nos discursos e sumir das planilhas. Se o governador pretende disputar a Presidência ou a reeleição, precisa entender que o Alto Tietê exige mais do que discursos. Prefeitos esperam ações, e a população quer ver resultado. Fazer caixa em tempos de arrecadação crescente enquanto os municípios enfrentam dificuldades é uma escolha política — e ela pode custar caro em 2026.





