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Administradora de ‘Casa dos Horrores’ recebeu mais de R$24 milhões na região

Presente em cinco cidades da região, associação foi 'banida' de Mogi por maus tratos a idosos
Serviço de cuidado a idosos virou caso de Polícia I Foto: Inquérito Policial

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Em agosto de 2023, uma visita da Vigilância Sanitária de Mogi das Cruzes a uma ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos) pôs fim ao pesadelo que enfrentavam senhores e senhoras que ali viviam. Começava, assim, o fim da Associação Afro Brasileira Nossa Senhora Aparecida, administradora do local.

Após uma denuncia anônima de infestação de ratos na “Casa Baobá”, instituição municipal mogiana que era gerida pela OSC (Organização da Sociedade Civil) já citada, onde moravam 12 idosos, os agentes sanitários constataram uma série de irregularidades, que permitiam a classificação do lugar como uma verdadeira “casa dos horrores”. A GAZETA teve acesso a todo o processo, que culminou na rescisão do vínculo da entidade com a prefeitura.

Curiosamente, a presença dos roedores denunciados não foi confirmada; em compensação, os agentes encontraram baratas, alimentos vencidos, móveis em péssimo estado, sujeira até nos locais onde eram armazenados talheres, danos em paredes, janelas e cômodos inteiros. Descobriu-se também que, além das péssimas condições, eram manipulados medicamentos injetáveis que só poderiam ser manipulados em hospitais, e que tudo isso não era registrado, já que o livro de intercorrências não era atualizado desde 2022.

A negligência era tanta que um idoso chegou a falecer após uma queda dentro da instituição que foi sequer reportada. Outros três – que sobreviveram – foram vítimas extremas: uma delas, de 73 anos, teve uma perna amputada após meses reclamando de dor no pé, mas sem cuidados; outro foi encontrado com um grave quadro de desnutrição, tendo sido internado na UTI após ser transferido do local; outro apresentava uma grave infecção por conta de curativos mal feitos em um membro amputado.

Com todas essas evidências, a Secretaria Municipal de Assistência Social de Mogi decidiu por interromper o contrato com a entidade, interditando assim a Casa Baobá e transferindo os atendidos a outros serviços.

Muita Grana

No processo de apuração, a GAZETA descobriu, via Portal da Transparência do TCE (Tribunal de Contas do Estado), que desde 2014 a Associação Afro Brasileira Nossa Senhora Aparecida recebeu R$ 24.528.204,41 em contratos com as prefeituras de Mogi, Santa Isabel, Itaquaquecetuba, Poá e Arujá.

A mais lucrativa era a de Mogi, que pagou neste período R$ 13.851.733,13 pelo serviço; seguido por Santa Isabel, que destinou R$ 4.839.244,29; Itaquá, com R$ 3.461.734,44; Poá, com R$ 2.247.892,37; e Arujá, com R$ 127.600,00.

De acordo com o portal, as únicas prefeituras que fizeram repasses para a instituição em 2024 foram as de Poá e Santa Isabel, onde a presidente da Associação Afro, Fabiana Silva de Oliveira, é pré-candidata a vereadora com apoio do atual prefeito, Carlos Chinchilla (PODE).

Silêncio

A GAZETA procurou as prefeituras citadas e a única que respondeu até a publicação da reportagem foi a de Arujá, que, em nota, ressaltou ter contratado os serviços da entidade por apenas quatro meses, em 2022, “mas que, findo o contrato, não teve mais nenhuma prestação de serviço realizado pela referida Organização Social”.

Fabiana foi contatada também, para se posicionar em nome da Associação, mas não respondeu aos questionamentos.

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